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segunda-feira, janeiro 26, 2004



Apetece-me dizer como o ortónimo Fernando Pessoa, a minha pátria é a língua portuguesa, e muitos outros amantes desta língua que a tomam quase como uma amásia. Sim, a língua portuguesa é sensual, erótica e, por vezes, comporta-se como uma perfeita prostituta.
Não vou tecer considerações sobre a língua que falo, isso deixarei para alguns académicos tão amantes dela como eu e, também como eu, lhe retiram o pathos para a sobrevivência diária.

O que me traz aqui é outro assunto.
O jogador de futebol Feher desaparece vitimado por uma trombo-embolia pulmonar. Até aqui, tudo bem ou tudo mal. Noticia-se o facto em todos os canais de televisão, em todas as rádios e jornais do país. Nada em contrário. O futebol é um polo galvanizador de várias frentes sociais e há que dar-lhes alimento para que não haja contravenções de maior, fricções.
O que está mesmo mal é dar-nos "Feher" durante 50 minutos à hora do almoço, e à hora que vos escrevo já vai em 30 minutos nos canais SIC e RTP1. Não é uma violência? Não são notícias como esta que banalizam a morte de tal modo que as gentes fogem dela quando ela lhes bate à porta? Cobre-se o morto, chama-se o padre e o rabi e há que despachá-lo o mais rapidamente possível para sob a terra pois está a estragar-nos o fim-de-semana que deveriamos ter no Algarve com os amigos dos copos. Não há pachorra para esta comunicação social. Criou-se uma praxis da comunicação que se toma como acertada mas que é assente, em minha venenosa opinião, uma falácia.
É necessária uma revolução das mentalidades. Devemos tratar (d)os mortos com o respeito que merecem, sem o espectáculo de «reality show», com comentários a torto e a direito, desde os políticos aos empresários do desporto. Um assunto localizado passa, como que num passe de mágica, a assunto nacional.
Porque não colocarmos a bandeira a meia haste? Porque não colocarmos uma sentinela à porta da morgue e pôr, depois, em vez da bandeira do clube,a bandeira nacional? Porque não a presença do Presidente da República, do Perimeiro-ministro, do Cardeal Patriarca? Uma banda a tocar o Requiem de Mozart ou o de Verdi?
Ouço agora o jornalista José Alberto Carvalho a perguntar ao Sr. Valentim Loureiro se não deve haver uma reflexão sobre o assunto.
Procura-se um culpado. O culpado foi do árbrito que deu um cartão amarelo; o culpado foi o grupo paramédico que chegou 10 minutos depois; o hospital de Guimarães foi culpado poque não tem as máquinas de reanimação cardíaca necessárias.

Caramba, amigos. Não será que os únicos culpados somos nós, que permitimos isto tudo e muito mais?

Vasco Pulido Valente desabafou no jornal O Público, de Sábado: o problema é que a Espanha não nos quer anexar.

Recolho-me à Teia. Já perdi muito veneno e tenho de o recuperar.

no espelho, uma vogal subtil caiu
anuviando o reflexo
que fixava
a transparência lábil; a fronteira
do equilíbrio do lábio
que se inclinava
na luminosidade transferida.

na mistura das águas
a vogal
alinhou a navegação
por sobre as árvores
no início da folhagem.

no sol havia a lucidez do olhar.


josé félix


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