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quarta-feira, janeiro 14, 2004



Não! Caros amigos.

O problema é que tive um ataque de outros vermes e insectos e tive que me recolher à Teia por uns tempos para não ter que sarar as injúrias do abdómen e das patas.
Agora que tudo está como deve já posso regressar aos passeios pelos fios da casa a atentar nas coisas que tacteio ao de leve.
Parece-me que tenho alguns problemas para resolver e o buraco onde se pode deitar o veneno também foi afectado po estranhos rastejantes. Mas aguardem-me. Irei repôr tudo conforme a aranha quer.

Deixo só, aqui, dois sonetos para a Bonina do Campo. Eu sei que ela virá outra vez beber do meu veneno. É uma atracção fatal: quanto mais é mordida, mais atraída se sente.

Tejo - fuga nº 1 - concepção

as ninfas poisam nas águas como éguas,
espreguiçam-se dolentes na pedra
e as ondas que elas sopram eu carrego-as
no fogo que consome e até empedra

na lúcida memória como fráguas.
espelham-se no tejo, não se arreda
uma escama sequer de sobre as águas,
enquanto a vida esvai numa clepsidra

de hipólitos amores sem mais tréguas.
de desencanto em desencanto, fedra
já abandona o corpo com as mágoas

ao abandono do rio que não medra.
quanta água tem a história deste rio
com tanta vida presa por um fio.



Tejo - fuga nº2 -conclusão

as ninfas poisam nas águas com léguas
de preguiça quietas como greda.
porque não sopram as ondas, carrego-as
no fogo consumido sobre a pedra.

a memória aquece como fráguas,
banha o tejo salino sem as rédeas
de potros irrequietos sem as éguas
no pasto esvaindo-se na clepsidra.

mas há tantos amores sem mais tréguas
como o amor desencantado de fedra
sem o corpo de hipólito. só mágoas.

ao rio se abandona, a ele se empedra.
olhando as águas fartas deste rio
mesmo as sombras se prendem por um fio


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