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domingo, janeiro 04, 2004



Uma boa notícia é sempre uma notícia boa!

Fernando Assis Pacheco, depois de morto, é digno de panegíricos. Não falo, claro, dos verdadeiros amigos do FAP, como o José António Gonçalves de quem vi ontem um fotografia da época com o Pacheco, mas daqueles que sempre lhe outorgaram os piores emcómios e, agora, sopram de mansinho sobre a tumba do falecido.
O F.A.P. foi sempre uma pessoa, não diria incómoda porque não incomodava ninguém, mas a sua escrita acerada como a lâmina fina de uma adaga, incomodava, certamente, alguns sectores instiyuidos.
Lembro-me da "Musa Irregular" e de alguns poemas onde ressalta a fina ironia e o mais doce, sim, doce, sarcasmo.
"This Sporting life" recorda-me a Ilha de Luanda, os Pézinhos na Água, as kizombas e as mulatas, "Soneto aos filhos"; "[...] não peço nada usai o meu nome / se vos praz lembrai-me / o que for costume[...]" e por aí adiante.
Por isso li a boa notícia do novo livro de Pacheco, embora morto. É por isso que é um grande Homem: publicar um livro depois de morto é sempre obra. Aguça-me a curiosidade para o comprar. "Respiração Assistida" será, seguramente, um bom livro.

Dedico-lhe este soneto pois mais nada tenho para lhe oferecer, sabendo que aos mortos nenhum cuidado assiste nas ofertas.


és a puta mais puta desta rua
que ofereço os meus versos marginais;
palavras que se rendem e fatais,
lá vão, perfuram, entram como a pua.
vendes o corpo com silêncio, nua,
para gradeares a alma com sinais;
vergastas, cintos, gritos animais,
bebendo o sémen onde desagua
a falta de intenção dos esponsais;
na posição horizontal e crua
na vontade dos dias verticais
no lento sombrear da luz da lua.
és puta, puta na senhora vais
a mais senhora puta na manjua

José Félix


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