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quarta-feira, fevereiro 18, 2004



A discussão sobre o que se deve ensinar nas escolas e nas universidades está em banho-maria. O País está em banho-maria. Estamos todos em banho-maria, o que não é nada agradável.Que esteja tudo em banho-maria, aceito até um certo ponto. Mas eu, precisamente eu, porquê? E se digo eu, digo todos nós.

Os professores - há cerca de 35.000 licenciados com as pedagógicas e, portanto, apetrechados com as ferramentas necessárias para ensinar -, estão divididos quanto ás questões mais básicas do ensino e da própria profissão. Há associações de professores a mais há sindicatos mais; há vozes a mais a fazerem-se ouvir, nem sempre pelas boas razões. Não há uma conjugação de esforços para que os cérebros, em conjunto, teçam uma plataforma comum para uma via de ensino que dure mais do que uma legislatura política. A Educação tem sido sempre a Educação de um Governo, não a Educação de um País.
Ora, digam-me lá - Gonçalo, os sacanas, sendo ignorantes também me enternecem; os sacanas que não são ignorantes causam-me asco - se não há sacanagem que baste?

Lêem-se cada vez menos os clássicos; Homero, Virgílio, Petrarca, Camões, Sá de Miranda, Garcilaso de La Vega; não se lê como deve ser Gil Vicente; ninguém conhece Shakespeare e alguns só ouviram que é dele o to be or not to be.

A ida dos escritores e poetas às escolas deve ser um hábito e não uma festa de vez em quando, enquadrados nas festas de qualquer cidade ou vila. Os Conselhos Directivos das Escolas têm a capacidade e o dever de chamar às aulas os escritores e os poetas contemporâneos para falarem da arte da escrita e dos escritores e poetas de há séculos, numa atitude comparativa pela modernidade que muitos deles, os antigos, encerram.

Isto sou eu a divagar enquanto vou armazenando algum veneno para ferrar alguém.

Enquanto isso coloco aqui um poema.

na concha das tuas mãos
as palavras apetrechadas de asas
voaram na boca de atena

todos os navios
se perderam nos cabelos de neptuno

e zeus ria com a ambrósia
que corria entre os dedos.

despertavas entre as sombras

penélope envelhecida e bela e doce
com a renda no colo
numa carícia perdida de telémaco.

ulisses ouve o canto das sereias.

josé félix



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