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segunda-feira, fevereiro 23, 2004



É evidente que um blogue não tem que ser escrito diariamente. Mesmo que tenha que ser um diário, não há diários que tenham sido escritos todos os dias, consecutivamente.
Há intervalos para que o fôlego, ou seja o veneno possa ganhar as propriedades proteicas e cumprir a função maior de amolecer os corpos divagantes dos dias e das noites. Escrevi há dias (não há dias atrás, que é um anglicanismo / americanismo: some days ago) que os escritores deviam ter uma permanência habitual nas escolas como forma de incentivar os alunos à leitura, ao gosto pelos livros.
Ler um livro é viver várias vidas e, por natureza, experimentar com a imaginação essas mesmas vidas. Um livro é ao mesmo tempo microcosmo e macrocosmo. Talvez, se houvesse mais gosto pela leitura incentivada pela presença dos escritores que são verdadeiros agentes culturais, eles, os livros, ficassem menos caros e, portanto, mais acessíveis àqueles que têm sede de saber e não podem tê-los devido aos ganhos parcos da maioria dos educadores.

A Correntes d'Escritas na Póvoa de Varzim é um exemplo disso, mas não passa de um exemplo. Acontece que os escritores vão às escolas e, passando o ritmo da festa volta tudo à ezquizofrénica normalidade.

É por isso, também, que sou total e frontalmente contra todos os dias de comemorações. Seja o Dia da Mulher, Dia Nacional ou Internacional Contra o Aborto, Dia Contra o Tabaco, Contra a Drogas, Contra o Racismo, etc., etc., etc. Quando há muitos dias para comemorar seja o que for é sempre mau sinal e de que muita coisa está podre no Reino da Dinamarca.

Para quê um dia contra o Racismo quando os mass maedia passam a maior parte do tempo mostrando nas câmara de televisão toda a violência do racismo? Não seria melhor fazef a apologia até à exaustão de que exite só a raça humana? Parq quê falar tanto nos malefícios da tabaco e não falar nos benefícios de tantas outras coisas, substituindo o tabaco por outra coisa qualquer? E, assim por diante.

São só ideias, dir-me-ão. E não são as ideias que fazem mover o planeta? Não é o dinheiro, caros amigos. esse, foi e é ditado pelas ideias. Não é o dinheiro que faz a mola deste planeta; são as ideias que o suportam. É uma questão de mentalidade, reforço.

Voltando à Correntes d'Escritas, acharia por bem que, face ao alargamento daquele evento ao país vizinho e a alguns paises da América do Sul, a Câmara Municipal da Póvoa criasse um Gabibnete próprio para que a Corrente d'Escritas, nas escolas, não terminasse com a saída dos escritores para os respectivos países. Seria interessante que os escritores e os discentes interessados pudessem manter alguns laços de afectividade criada nas visitas escolares. Seria o maior incentivo a dar a quem se interessasse pela escrita, pela leitura, pelos livros.

Já chega de veneno. Hoje apetece-me colocar aqui

QUASE UMA CARTA DE AMOR

o fogo que incendeia o corpo lábil
mantém aceso o pólen a semente
revigorada no açoite dos ventos.
não deixes que amaresçam estes dias
de frutos abrasados pelo incêndio
do mel que escorre raso pelas pétalas;
esvoaçam como asas de borboletas
ao tocarmos na pele do pedúnculo.
deixa-me ficar com o olhar das luzes
eternamente azul igual à cor
de todos os princípios. e serenos
cuidarmos do jardim dos corpos breves.
       a subtileza dos amantes sérios
       perde-se nas palavras do poema.


josé félix




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