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quinta-feira, fevereiro 12, 2004




fuga ao artifício ou de como a vida é
feita de episódios



1.
sim. talvez alguém me o tenha dito
embora eu não o haja percebido
por que as palavras por vezes estão
suspensas de uma flor assassinada
no pedúnculo leve solitário
acéfalo corola corrompida
de gestos e de ventos no silêncio
dos murmúrios tardios.
se me disseram de todas as águas
ou da leveza da corrente caprichosa
ou ainda da subtileza dos aromas
talvez sem perceber os olhos vaguem
em azul tão azul no azul do dia
numa linha que alonga tão longínqua
tão mais longe que a espera da agonia
do pescador que espera desespera
soletra devagar as letras nos olhos
do peixe morto preso no anzol.

2.
a bruma de verão é outra bruma
não tem a transparência das ausências
como quem se recolhe num dia frio
a beber chuva cheia de emoções.
há só este murmúrio simples o mar
a ramada das ondas escamadas
há um deus esquecido nos rochedos
genitália das pedras heroínas
em orgasmos de espuma e de pássaros.

3.
na areia desta praia descubro um
coração desenhado de um amante
onde diz eu fiquei aqui na praia
até que a água alague leve surda
ao grito ecoante de amar mar
um amor transponível na ventania das faias.

4.
não sei se me deixaram todas as fontes.
não sei se me tiraram todas as pontes.
permaneço nas ambas margens icthus lúdico
a lamber o sal o sonho da vida
que atravessa no voo da gaivota
a declinar a rota em velho leme.
ocasos matutinos rasgos cegos
em nocturnais festins quando os ossos
já enfeitam as manhãs engravidadas.

5.
deixo um beijo no acaso de uma flor
então que venha o vento e leve a pétala
semeada num rosto lavrado pelo tempo
onde a palavra poisa suave numa carícia
de pássaro na cópula do vento.

inédito
josé félix




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