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segunda-feira, fevereiro 02, 2004



Paciente. Persistente. Sou um aracnídeo bem acomodado na minha teia. Espero pela melhor oportunidade para dar uma ferroada.

Já é a terceira vez que começo este texto e sempre de uma forma diferente. Quando o vou colocar no ar, a netcabo pega-me a partida e não funciona. Vai tudo para o nada. Desta vez selecciono o texto como selecciono um mosquito, uma melga, uma borboleta nocturna, um pequeno gafanhoto, e záz. Injecto a seiva bendita e pronto. Teço os meus fios, bem devagar, pacientemente, para depois me deliciar eroticamente o prazer da carne amolecida pelo veneno.

As televisões descobriram, agora, que morre quase todos os dias um jovem ou um adolescente, praticante de desporto, com paragem cardíaca. Até aqui não morria ninguém com aquela cardiopatia, congénita ou não.

Cada vez mais, vejo menos noticiários televisivos. Fiz uma auto formação / sugestão para deixar de os ver. Usei a mesma técnica que utilizei para deixar de ver novelas. Comecei pela estação TVI por ser a mais pastilha elástica. Há meses que ela não existe na minha Teia. Depois comecei a cercear alguns programas da SIC; Herman SIC, os Malucos do Riso, as novelas da noite e, por fim, os noticiários.
Finalmente veio o Canal 1 da RTP que me apanhou na mudança de administração e esperei mais algum tempo para a deitar para o lixo. Sei por interpostas pessoas que fazem lá programas de Triunfo, como as bolachas que acabaram por desaparecer, e repetem, repetem, repetem até à exaustão programas menores e que eles pensam que o povo gosta ou obrigam o povo a gostar.

Fiquei-me pelo Canal Dois. O novo. Só com o noticiário e o programa da Ana Sousa Dias. O Magazine que substituiu o Acontece - apesar de ter tido muitos defeitos era o melhor programa de divulgação cultural no país -, é uma pilhéria de partículas desengonçadas, uma salada russa e fere de alguma qualidade nos apresentadores. Já não acredito que vá melhorar. Nasceu mal, e doente vai morrer.

O que aconteceu? Pasei a ler mais. Consulto mais livros. Estudo mais formas de ferroar a quem se acomete a invadir a minha Teia.

Um poema é o meu veneno final

O idioma possível


há uma casa e um país à deriva
e o idioma possível é a infância
dos objectos na arqueologia
das estruturas. os instrumentos cavam
a árvore donde brota a água
de todas as nascentes.
apodrecem os ramos que eu conheço, todos os caminhos
e das flores suspensas cai o aroma
no sonho da semente fértil.


Félix, José, Geografia da árvore (a reinvenção da memória), Colecção Poéticas de Lav(r)a, Múchia Publicações, Funchal, Outubro de 2003



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