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terça-feira, fevereiro 10, 2004


Para o caso de os menos lúcidos não terem entendido bem das razões do meu discurso, vou ser mais explícito.
Por exemplo: sumponhamos que o António ou o Rui qurem organizar uma Antologia com 20(vinte) autores. Já sabem que há uma empresa gráfica que os faz a €1,00 cada um, tendo o livro cerca de 100 páginas, 1.000 exemplares. O António e o Rui fazem a paginação do livro, que é um trabalho não pago, mas trabalho. O papel do «miolo» é o normal com 80 gramas. A capa só tem uma cor para não onerar o preço do custo.
Combina-se com os autores que terão que pagar €50,00 cada um, o que perfaz €1.000,00. No fim, o Rui ou o António dizem que cabe a cada autor 40 exemplares, sobrando 200. Desses duzentos, o que também é normal, são oferecidos aos jornais diários, jornais semanários, jornais e revistas com suplementos literários, Rádio, Canais de Televisão. Há ainda ofertas para o Instituto Camões, Casa Fernando Pessoa, alguns académicos, e o resto vai para as livrarias para a respectiva divulgação, com oferta de um exemplar ao livreiro. Se houver lançamentos e/ou apresentações oferece-se um exemplar aos jornalistas que aparecerem. É normal.
Há a acrescentar a tudo isto, as despesas de transporte de idas e vindas da Gráfifica e para a Gráfica, revisão de textos, inscrição no I.N.P.I. para registo do logotipo, combustível e o aborrecimento que só é consumido por quem anda nas andanças do demónio.

Agora digam-me, caros amigos, qual é o vosso lucro. Vá, respondam. Não se constranjam.

Pois é, amigos, ainda há quem pense que eu enriqueço a fazer um livro desta maneira.

Assim, só me apetece colocar aqui um pouco do meu veneno.

auri sacra fames

viver um dia com normalidade
é ter o olhar cubista, no sentido
que picasso lhe dá. é que são várias
as formas de rever os dias idos.
o olhar é feito sempre de passados.
o tempo é longo na seneridade.
ver multifacetadamente os dias
sem adjectivos é o poder dos fracos,
e os outros, bem, os outros não se importam
com a substância temporal da vida.
carpe diem já o disse horácio
nas odes. mas virgílio, cidadão,
conhecendo pois da fatalidade
de roma e que do mar viria eneias,
sabia bem que da fome execrável
do ouro também se vive cada dia.
a mim basta-me o olhar sem mais palavras
do indivíduo ou de uma multidão
a tentar augurar o seu futuro
enquanto os corvos grasnam sobre os rostos
do império apodrecido pelos séculos.


José Félix, in Quatro Poetas da Net, Edições Sete Sílabas, Lisboa, 2002


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