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sábado, março 13, 2004


Os números, além do significado quantitativo, também podem ter outra semântica.
Daí ter criado uma nova lexicografia dos números apesar da palavra grega lexikón querer dizer «mesmo sentido». Será o «outro sentido» das coisas que os números puros, simples me dão.

Deliciem-se ou envenem-se



numerus lexikon


0 - Zero


tenho a idade da semente
a claridade do espelho

e na face de tudo que é nada
grávido, o tempo
liberta a multiplicação das flores

a metade do infinito
perseguindo os meus passos

no mais redondo silêncio e harmonia.


1 - Um

fálico. único.
a lança na travessa da semente
um abraço no espelho
no esconderijo do escudo.

guerreiro impune
o começo do nada o princípio da fala
a verticalidade solitária

uma papoila rubra na seara.


2 - Dois

uma duplicidade desenhada
na altivez natural
carrega para sempre
o outro lado do espelho

o reflexo é a diferença da face

o duplo do decúbito ventral


3 - Três

a trindade religiosa
incompleta
o recinto do infinito

púberes e o ventre
quase na explosão da flores.


4 - Quatro

círculo imperfeito
na beleza da quadratura

o centro agarra-se ao lápis

e um sorriso se desfaz
na queda da linha

segura, ainda, o papagaio de papel
uma sereia azul com asas
na imaginação do vento.


5 - Cinco

a concha do teu corpo
cativa o pólen das anteras

e na orquídea do tempo

nasce um sorriso de erva-doce
na abertura da ânfora

a mão de flor recolhe a água
liberta da sede.


6 - Seis

furtiva a sílaba entre a dor palpita

breve e grávida
a fala do princípio aguarda o sol
na semente da aurora.


7 - Sete

na cadeira da cabala
fizeste tremer o faraó

e na fonte dos sete sábios
platão bebeu a sede dos deuses

perto do infinito
alongas a distância vezes sete
fechada em lábios de silêncio.


8 - Oito

uma semente grávida
na divisão do núcleo
principia no espelho do que é nada.

a verticalidade do infinito
na linha imaginária
do fim da vida
no princípio da morte.


9 - Nove

a radícula rasga a terra
suporta na semente o infinito
a árvore gentílica

o prenúncio de todos os caminhos

simples flor frágil
lábil pedúnculo

na brisa vai o pólen e o aroma.


José Félix



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