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sexta-feira, abril 09, 2004



É melhor não voltar ao voto em branco porque é continuar a chover no molhado. O voto em branco está consignado no sistema eleitoral português, e pronto. Votem em branco, em preto ou em arco-íris que é a mesm coisa para mim.
Eu, que estou lúcido, não voto em cor alguma.

O resultado das negociações com os homens e/ou as organizações que utilizam o terrorismo está à vista: é o início da baixeza mais do que o medo de ser morto ou ser apanhado pela explosão de uma bomba assassina.

Há quem diga que devemos procurar as causas do terrorismo. Há «causas» para o terrorismo? Digam-me, ó cegos, quais são as causas do terrorismo chechéno. Digam-me, ó cegos, quais são as causas do terrorismo palestiniano. Digam-me, ó cegos, quais são as causas do terrorismo indiano. Digam-me, ó cegos, quais são as causas do terrorismo paquistanês. Digam-me, ó cegos, quais são as causas do terrorismo filipino. Digam-me, ó cegos, quais são as causas do terrorismo global da Al-Qaeda.

Se nos ativermos um pouco no estudo destas organizações, verificamos que o "terrorismo" floresce muito bem nos países democráticos ou em vias de implantação da democracia.

Não há terrorismo nas ditaduras puras e duras. Não há. E quando acaba uma ditadura, ou é por apodrecer naturalmente, como a ditadura portuguesa de 48 anos, onde houve um cravo a enfeitar a sala (não houve revolução, nem sequer das mentalidades que continuam tão obsoletas como há 50 anos), ou há uma revolução constituida pela maioria da população para se estabelecer uma ordem nova. As revoluções de inspiração militar (putch) normalmente não produzem efeitos de mudança dignos de nota.

Sendo a democracia um sitema muito frágil de fazer política, ela é considerada a melhor forma de governar os povos, nao havendo outra que se lhe subtitua, por enquanto - já há tentativas globalizantes com relativo sucesso e , em minha opinião, será a forma futura de governar, a fórmula orwelliana, com todos os malefícios e benefícios que possam vir daí, não se sabendo ainda, se haverá mais benefícios do que malefícios -, o polvo do terrorismo internacional procurará por todos os meios (estamos vendo isso, agora) desestabilizar a fragilidade da democracia, pelo medo, pela coarcção, e todo o tipo de chantagem que já começa a produzir alguns efeitos no governo indigitado de Madrid.

É uma luta entre a democracia e o terrorismo internacional. Quanto mais democracia houver e ela se alastrar mais depressa desaparecerão as organizações terroristas, sejam elas quais forem.

o eco das coisas imutáveis


há uma voz que vem do telhado.
brinca na flor dos dedos
límpida como a chuva da manhã.

o eco das coisas imutáveis é
um relógio preciso
na pele envelhecida.

mesmo que a cal dos ossos
invoque a terra de uma casa fria
não há nunca o último minuto

a reclamar a prece dita
na parede do templo de uma casa
construída prestes da partida.

velhas madeiras são o altar do sacrifício
na invenção do animal degolado
como se desse por cumprida

a morte resgatada dos corpos
daqueles em que a única invenção
foi viver com as sombras

dos que lhe deram os sinais do rosto
e a semelhança da voz
que a idade enriquece no caminho.

uma casa, a substância das janelas
presa no parapeito da distância
o olhar peninsular como se fosse

uma vingança feita na ressurreição
dos rostos da família desistida.
a casa, o templo vivo mesmo morto.

José Félix
in "a casa submersa"
08.04.2004


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