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sábado, abril 24, 2004



Num ponto estou plenamente de acordo com o editor do Expresso acerca das comemorações dos 30 anos do 25 de Abril de 1974: são deprimentes pelas causas últimas focadas no texto.

Já não estou de acordo quanto às primeiras causas que fazem com que as comemorações sejam deprimentes e aborrecidas para a maioria das pessoas, principalmente para os jovens. Porquê?
Porque o sistema educativo tem sido incapaz, ao longo dos 30 anos, de explicar convenientemente aos nossos jovens o que causou a mudança no dia 25 de Abril de 1974. A mudança, não a revolução. A «mudança» não é um eufemismo para «revolução»; acho esta última palavra demasiado forte para explicar a transição entre o regime que capitulou de fraqueza e podridão e o regime que se lhe seguiu com todas as virtudes e fraquezas. Ontem, o professor Marcelo Rebelo de Sousa que tanto gosta de dar notas aos políticos, numa aula sobre os 30 anos do 25 de Abril de 1974, numa classificação de 0 a 10, dou-lhe 9. Não gostei, mesmo nada, da explicação final da «revolução» que teria durado até ao dia 25 de Novembro ou até 1976 quando foi redigida a Lei Fundamental do País. Ficou uma explicação demasiado estática dando a entender que as mudanças terminaram naquela altura.
Ora, uma mudança para a democracia dura vários anos; é feita de uma constante aprendizagem e experiências, umas falhadas, outras com relativo sucesso. Pelo que conhecemos, ainda estamos a dar passos de caracol a caminho da democracia e das liberdades fundamentais. Uma democracia constrói-se com tempos longos, não com tempos curtos, demasiado curtos segundo a dissertação do Prof. M.R.S.

O neo liberal país mais odiado pelos europeus, os Estados Unidos, dá-nos um exemplo de como se deve comemorar um dia que represente muito para uma nação: através da participação popular. Mas, para isso, é necessário que o sistema educativo vincule a escola e a envolvência dela nestes actos oficiais. Não deixar que as Juntas de Freguesia façam tudo ou quase tudo porque não estão vocacionadas ou não têm gente capaz nos pelouros que tutelam a educação e a cultura.

A participação cívica continuada nas comemorações deste tipo - 25 de Abril, Restauração, etc. - agrega o povo, torna-o mais solidário e não tem nada a ver com a esquizofrenia de um certo nacionalismo apregoado e criticado por alguns senhores com o complexo de esquerda.

Apesar do 25 de Abril de 1974 me ter tirado uma Mátria, uma chão e me ter transformado num exilado convicto, viva, sempre, o 25 de Abril de 1974

o mesmo poema

o mesmo poema é
pisar a terra inteira sobre as mesmas solas
just like the river waters
flows on the bottom

que me interessa o silêncio das tulipas
se a tua fala oriental
acaricia a pele
e vejo-te, mesmo assim, límpida
num campo de margaridas?

é a luz que dá a sombra
e, não sendo objecto nem sujeito dela
não sobrevive sem a clara definição
filosófica ou de uma certa epistemologia.

a sombra é o ombro que acolhe
uma falha no olhar sibilino
e por isso é que eu digo
tal como os livros da sibila de cumes
também eu escondo o destino
numa dúzia de versos

com uma diferença
o destino só de um homem
e não de um povo inteiro.

josé félix


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