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sábado, abril 17, 2004



O veneno da aranha atacou-me e tive necessidade de fazer uma cura de desintoxicação durante 8 dias. Nada de grave. Uma caixa de pílulas e outros produtos da farmacopeia oficial e os pólipos que infectavam a garganta foram desaparecendo, atacados pelos antibióticos que cada vez menos fazem efeito.

Bom, o que hoje me traz aqui é um assunto que nesta altura é discutido até à exaustão nos meios governamentais, no sistema educativo e literário.
Nos meios governamentais, já sabemos que o 25 de Abril - é dele que vos escrevo - desde os sucessivos governos de há 30 anos, tem vindo a perder a essência e a importância que lhe é devida. Foi através daquela mudança no dia 25 de Abril de 1974 que a sociedade portuguesa chegou aos meados do século XX. Importância sociológica, de revolução de mentalidades e do início da construção da democracia num país que nunca havia passado por qualquer vivência onde o povo tivesse voz como uma força de pressão no sistema deliberativo.

Pois bem. O que sucede é que a cultura fast food, que já tinha chegado à literatura, poesia e prosa de ficção, principalmente, também já se estendeu ao pensamento daqueles que fazem do «lixo» arte, produzindo freneticamente poemas de centro comercial e na prosa, a chamada «literatura light» dando a entender que é um bem escrevê-la.

Regressando ao "25 de Abril" há alguns homens e mulheres de letras que já dizem que o 25 de Abril não lhes diz absolutamente nada, a não ser que é um feriado mais no calendário dos feriados portugueses, um dos mais extensos da Europa caquética, pedinte e subserviente.
Dizem que não têm memória sobre a data, portanto não se acometem a falar dela. Pura estupidez! Só um mentecapto pensa assim! Então o que é a memória de um país? O que é a memória de uma nação? O que é a memória de um povo? Não é feita pela história e pelos historiadores no estudo dos factos (hermenêutica, heurística, etc. pela crítica dos documentos?) .Não é pelo estudo de cada um, através do sistema educativo que devemos construir essa memória que forma a memória colectiva de um povo? Será que aqueles que falam assim, também não conhecem (de cognoscere) o Dom Afonso Henriques, a batalha de Toro, a Guerra dos Trinta Anos, os Descobrimentos? Isso não lhes interessa?

Só lhes interessa tudo aquilo que se passou desde o seu nascimento? O 25 de Abril de 1974 não interessa aos intelectuais (?) nascidos nessa altura?

Não é uma questão de ser de Direita ou de Esquerda ou do Meio. É uma questão de formar uma consciência colectiva com base na história do povo a que se pertence, malfadado ou não.

Qem assim fala ou escreve, certamente desconhece o hino nacional e se o cantarola é com indisfarçado constrangimento.

Tenham paciência, mas a memória constrói-se, mesmo com aquilo que se passou no século V de Péricles, com a história do Antigo Egipto, com a guerra civil de Espanha, com a Regeneração, com a Ditadura de Salazar e também com o que se passou no dia 25 de Abril de 1974.

Só porque se nasceu depois dessa data já não têm capacidade de ter memória? Há lixo que não devia ser mostrado, mas há uma apetência dos media com uma grande percentagem de lixo que procura o outro lixo.
Abyssus abyssum invocat!

tudo, conforme as águas, vem
no movimento da flores.
uma pétala brinca com o tempo
- visão perpétua das coisas possíveis
no limiar da luz que sobra -, vertendo
a queda do olhar preso no crepúsculo;
a sombra do princípio
no precipício dos líquidos.
o leito é o corpo da corrente
leve, suave e breve
do pólen que murmura na tarde.


josé félix



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