<$BlogRSDUrl$>

quarta-feira, junho 30, 2004



O meu veneno

Para que não haja contradição, reitero que não voto. Nunca voto mas não me coibo de emitir ou omitir a minha opinião.

O que eu quero dizer é que se discutam ideias e não pessoas. Espero que isto baste para clarificar a dúvida, jpt

O voto é o sistema menos importante para se discutir ideias.


|

terça-feira, junho 29, 2004



O meu veneno

A invenção de uma crise política

Já sabem que não voto. Sou proudhomiano convicto e não vejo, sinceramente, qualquer utilidade no voto. E também não é pelo voto que faço valer a minha opinião. O voto é dar consequência à sacanagem.

Não é uma boa altura para se fazer precisamente o contrário daquilo que tem sido uma regra perigosa: eleger pessoas e não ideias?


|

segunda-feira, junho 28, 2004



O meu veneno

Há políticos que, quando vão à televisão, parecem aqueles vendedores de feira que tentam impingir os frasquinhos milagrosos que tiram as dores de costas, curam o cancro e, ao mesmo tempo, o reumatismo, a flatulência, os gases, etc.


É sabido que eles sabem que a maioria dos telespectadores tem um grau máximo de iliteracia e, portanto, navegam em águas turvas como se estivessem a dobrar o cabo da boa-esperança pessoal.

Isto tem a ver com o processo de nomeação - nomeação, não candidatura -, do Dr. José Manuel Durão Barroso para Presidente da Comissão Europeia.

Nunca vi, como hoje, tanta diarreia mental!


|

terça-feira, junho 22, 2004



Como estão felizes os portugueses!

Segundo alguns estudos de opinião a produtividade aumentou nestes dois últimos dias em Portugal. Até os intelectuais descobriram que este país existe. Ora opinam os sociólogos acerca da bandeirite, das bandeiras made in China que em vez de castelos colocaram pagodes, ora opinam os sábios da heráldica e medalhística sobre o tamanho da bandeiras e da proporiconalidade das cores que a compõem : o verde e o vermelho, principalmente, além das outras cores simbólicas.

Claro que todos os povos têm direito à felicidade e a demontrarem quanto gostam da sua pátria. Sem o nacionalismo bacoco, acrescento eu.

É por demais evidente que todos os povos têm o direito de emitir opinião e também de a omitir se for necessário. Seria interessante ver uma manifestação do tamanho que estamos a encarar no caso dos empregados que ficam sem trabalho devido à deslocalização das empresas. Isto sou eu a pensar alto.

Os raios, dizem, só costumam cair em locais desertos, portanto não temamos que algum caia numa manifestação nacional - o país inteiro rendeu-se à mística do futebol - pois seria uma desgraça e sobraria pouco povo para a manifestação seguinte.

Há ainda outros sociólogos que vêem muito mais: tudo aquilo que mais ninguém vê. Então inventam-se eufemismos, figuras de retórica, nomes feios que foram buscar às enciclopédias do conhecimento e que estavam guardadas desde o tempo em que estudaram nas universidades e, portanto, ultrapassadas.

Chama-se o Eduardo Lourenço para dar opiniões sobre o fenómeno (tantos fenómenos há nesta época do Euro 2004) o Boaventura Sousa Santos, o antropólogo Moisés Espírito Santo, jornalistas, escritores, padres, e até Deus, que não tem nada a ver com isto, é chamado por cada jogador, por cada seleccionador, mais os santos e as santas que só aparecem em caso de duvidosa aflição.

Até eu, que gosto de futebol e estou farto de ver tantos jornalistas a cometer erros de palmatória na linguagem escrita e falada.

Até ao próximo veneno.

vita brevis

caem do telhado
em desenhos de água
as palavras que
se furtam ao sol

num lamento débil
soltam do salgueiro
finas transparências
as eternidades

que se vão partindo
espelhos narcisos
numa fixação
que é tão luminosa

quanto é a brevidade.

josé félix





|

segunda-feira, junho 21, 2004


Guinzburg, Carlo, Il Fromagio e i vermi. Il cosmo di un muznaio de '500, São
Paulo, Companhia das letras, 1989.

Recensão crítica

Após a leitura de textos base para a análise crítica de "O Queijo e os vermes" de Carlo Guinzburg tomamos consciência de questões importantes para o estudo da História das Mentalidades.
Os textos pôem-nos em contacto com uma série de questões pertinentes as quais têm como pano de fundo a dicotomia cultura das elites/cultura popular, da sua validade ou não.
É o questionar desta dicotomia que faz parte da nova maneira dos historiadores pensarem a História das Mentalidades e da Cultura, que é defendida por Roger Chartier e que é efectivamente uma posição inovadora.
O estudo das Mentalidades herda dos historiadores românticos aquela dualidade, mas que hoje se apresenta cada vez mais questionável. É um esquema muito simplista e bastante rígido, mesmo assim um esquema pelo qual não nos devemos deixar influenciar. Para além de os questionar, necessitamos de tê-lo em conta apenas como ponto de partida para chegar a questões
primordiais para clarificar o que é no fundo a História das Mentalidades, um plano de estudo actual, e ter em conta se faz sentido uma oposição tão rígida como aquela que é adoptada pelos historiadores românticos.
Não podemos deixar-nos levar por um esquema que tente tipificar os problemas históricos apesar de ser sempre uma tentação encontrar grandes fios condutores, grandes períodos com as mesmas características.
Os grandes esquemas tipificadores são por natureza limitados e não permitem avaliar os fenómenos nas suas características particulares e de excepção.
Roger Chartier tem uma posição bastante clara e comunga com a nova maneira de fazer história iniciada pela escola dos
Annales."Desembaraçando-se das etiquetas que pretendendo identificar os pensamentos antigos, os marcaram na realidade, a tarefa dos historiadores do movimento intelectual(como escreve Febre) é acima de tudo reencontrar a originalidade irredutível a qualquer definição à priori, de cada sistema de pensamento, na sua complexidade e nas suas mudanças"[(1) Roger Chartier, obra citada na bibliografia, p.33]. A dicotomia esquemática proposta pelos historiadores românticos não tem lugar dentro deste novo conceito de fazer história, assim como qualquer outro exemplo de oposição rígida torna-se ridículo face a esta concepção nova dos historiadores dos Annales; concepção reafirmada pela actual definição de História Cultural que coloca a posição do historiador perante os artefactos históricos.
Para Roger Chartier, o historiador interpreta os artefactos,
objectos históricos de análise, num campo onde se cruzam duas linhas: uma vertical, ou diacrónica, pela qual o historiador estabelece a relação de um texto ou de um sistema de pensamento com manifestações anteriores no mesmo ramo de actividade cultural; a outra é horizontal ou sincrónica, e através dela determina a relação do objecto cultural com o que vai surgindo noutros
aspectos de uma cultura.
Assim, "ler um texto ou decifrar um sistema de pensamento consiste, pois, em considerar conjuntamente essas diferentes questões que constitui, na sua articulação, o que pode ser considerado como um objecto da história intelectual".[(2) Roger Chartier, obra citada na bibliografia, p.65]. Penso que o problema deve ser posto não em oposição - Cultura Popular/Cultura das
Elites - mas em termos de interligação. Apesar de a cultura das Elites - escrita, letrada, urbana -, tentar de facto dominar a "cultura popular" reprimindo-a e impondo por assim dizer, as leis de uma cultura letrada que se dizia dominante, esse papel primordial funde-se com aspectos da "cultura popular".
Há ainda outro aspecto importante, como refere J.Molino, que é o facto de não se poder falar em cultura oral-popular e cultura letrada-escrita, nestes termos tão claros. Segundo Molino, nas mentalidades antigas, a "cultura popular" encontra-se rodeada desde há séculos, por meios escritos, assumindo especial evidência a importância dos textos sagrados e
os seus comentários; neste caso a cultura escrita é transposta para um meio de difusão oral. Por isso mesmo as duas realidades não estão tão desligadas.
J.Molino, ao levantar a questão da existência ou não, de
várias culturas, foca outro aspecto importante, propondo outra perspectiva para abordar o assunto. Considera necessário estudar a cultura nos seus diferentes meios naturais propondo outro esquema tipificador: a cidade e o campo, como sendo os dois meios naturais indispensáveis à resolução do problema. Nesta perspectiva introduz, ainda, o conceito de «intermediários culturais», que serviriam de elo entre os dois meios naturais. Propôe unir, através destes intermediários culturais, o que à partida estava separado pelo esquema "cultura popular/cultura das elites".
Penso que tentar resolver uma dicotomia com outra dicotomia, traz de novo os perigos a que me referí. No entanto, este esquema, talvez necessário como todos os outros, não deixa de levantar sérias questões, se não nos deixarmos influenciar demasiado pelo esquema simplista.
Neste esquema os intermédios culturais assumem grande importância naquilo que J.Molino considera "cultura de transição". Eles asseguram a ligação entre os dois mundos que à partida seriam tão diferentes e que estão de facto interligados.
Resta saber se o papel destes intermediários será tão claro como eles se apresentam à primeira vista. De facto não o é e J.Molino também o assegura.
Considera que o papepl de intermediário pode ser vivido de diversas maneiras, dependendo, por isso, da origem e formação dos seus representantes, os intermediários culturais.
Duas diferenças estabelecem-se à partida: os intermediários formados junto da tradição popular e por isso mais próximos dela e os vindos do exterior, completamente fora da realidade onde se vão inserir. Estes intermediários seriam os representantes da cultura urbana nas sociedades camponesas, representantes do poder central e tendendo a impôr a lei desse poder.
Tomando por base esta realidade e tomando o exemplo de Menochio, o moleiro, do livro de Carlo Guinzburg, será que podemos tomá-lo como um intermediário cultural? Sendo assim, enquadra-se no esquema de J.Molino como um intermediário formado junto da sua comunidade.
O moleiro tinha ideias «estranhas» e procurava «vendê-las» aos seus conterrâneos. Eram ideias heterodoxas. O moleiro tinha acesso a livros que em princípio estavam destinados às elites, beneficiando também da experiência de viajantes que se torna enriquecedora para a sua comunidade.
Constata-se que o nível popular não era passivo e exemplo disso é o moleiro que após ler os livros tem uma atitude criativa na leitura dos livros, contrariando a ideia de alguns historiadores dizendo que a população era passiva e aceitava passivamente as ideias preconizadas pela elite produtora de livros e ideias.
Nota-se que o grupo não era amorfo, passivo e tinha apetência por leitura. O moleiro acaba por construir determinados valores, alguns pessoais, mesmo algumas considerações heterodoxas que não tinham nada a ver com os modelos teológicos.
Além disso, Carlo Guinzburg problematiza a influência de cima para baixo; constata que o moleiro que se enquadra na clase da "cultura popular" tinha lido outras obras, as obras da elite. Leu não só livros simples, mas também livros de teologia, livros que em princípio não eram destinados à maioria da população. Leu-os e interpretou-os de uma forma pessoal. Teve um trabalho interpretativo, um trabalho de criação em que misturou uma série de elementos de ordem pagã com elementos de ordem católica.
Este exemplo de como um rude moleiro que de facto sabe ler e escrever, teve acesso a leituras importantes na sua época, sendo um caso excepcional, sugere, apesar disso, que a escrita não estaria tão longe assim dos meios rurais.
Menochio apresenta todas as características do homem do seu tempo, curioso por tudo aquilo que o rodeia e ávido de saber.
De facto, torna-se cada vez mais evidente a falta de sentido da dualidade "cultura popular/cultura das elites. Este esquema pressupõe a existência, numa mesma cultura, de grupos individuais, o que não corresponde a uma realidade muito clara. Esta dicotomia pressupõe também que a "cultura popular" se ligaria à oralidade e que a "cultura das elites" se ligaria à escrita.
Adquirindo o fenómeno da escrita demasiada importância na divisão dos dois mundos.
Eu penso que só a escrita não basta para encerrar uma cultura em dois polos distantes. Há também que dirigir um popular através das canções populares. Também por vezes a olhar atento para a poesia que em termos populares adquire formas bem originais. Também importante de salientar é o facto de que por vezes a "cultura das elites" é influenciada pela "cultura popular", nas canções populares. E como a "cultura das elites" se apropria de festas populares. Lembro, por exemplo o Carnaval com o fim de atingir e obter fins políticos e religiosos.
Penso que são duas culturas que se interligam constantemente.


Bibliografia:

BOURDIEU, P. ,CHARTIER, R. E DARNTON, R., "Dialogue a propos de l'Histoire
Culturelle" in Actes de la Recherche en Sciences Sociales, 59, Set 1985, pp.86-93

CHARTIER, Roger, "História Intelectual e História das Mentalidades.Uma dupla
reavaliação" in A História Cultural - Entre Práticas e Representações, Lisboa, Difel, 1988

ERINBERG, Martine, "La Culture Populaire comme enjeu:rituels et pouvoirs(XVIIe siecles)" in A.A.V.V., Culture et ideologie dans la genese de l'etat moderne, Roma,1985,pp.381 - 392.

MOLINO, J., "Combien de cultures?" in Les Intermediaires culturels - Actes de Coloque du VCentre Meridional d'Histoire Sociale des Mantalités et des Cultures, Paris, Honoré Champion, 1981, pp.631-640.

GUINZBURG, Carlo, Il Fromaggio e i vermi. Il cosmo di un muznaio de '500, São Paulo, Companhia das Letras, 1989.



intervalo de um gesto

percorria o tempo agarrado ao tronco
à espera que os frutos
amadurecessem

o sabor percorria a língua
nos frutos amarescidos
enquanto o mel corria da colmeia
provisória de um ramo renascido

no intervalo de um gesto

a folhagem afagava os pomos
e a casa adormecida no beiral
dos lábios em combustão.

josé félix



|

quinta-feira, junho 10, 2004



A hipocrisia política

Já sabía que os mortos são todos homens bons.
O que não sabia é que se pudesse fazer gala disso em período de reflexão eleitoral como soe dizer-se neste portugalzinho embandeirado a pedido de Filipão, diga-se, Felipe Scolari.
Morreu Sousa Franco, o homem que disse para quem quis ouvir, e escreveu para quem quis ler que o governo de António Guterres foi o pior desde o reinado de D.Maria I. Isto é uma frase e uma constatação que deveria ter sido tomada em conta por muito boa gente. Nada feito! A memória do povo é sempre curta e aqueles que o invectivaram são aqueles que agora lhe tecem as maiores loas e requiem.

Não estou contra o Senhor - assim mesmo, com maiúsculas - Scolari por ter intuído nas mentes capciosas de algum povo português o nacionalismo e o gosto de ser português.
O que me espanta, e se calhar até não, é que é preciso o futebol, o relvado de Louçã para que o nacionalismo e o gosto de ser português, - aqui num sentido muito relativo porque quando acabar o Euro 2004, ou se a equipa de Portugal, composta por 23 jogadores perder o/s primeiro/s jogo/s, recolha com as bandeiras ao sótão da inveja, das raivinhas, da falta de auto-estima e da pequenez - venha ao de cimo.

Isto sim, é nacionalismo bacoco, pois não é assente em bases sólidas como a formação dos jovens no gosto pelo seu país, pela sua cultura, pelo seu hino nacional (99% dos jovens não conhece o hino nacional) e por tudo aquilo que é português. É um modismo que tem os dias contados. A ver vamos.

Ah! Este veneno que me assalta de vez em quando!...

no canto dos lábios

nas ventas a palavra
rasga a face
no canto dos lábios de água

o tiro é um abraço
no silêncio
da noite amordaçada

e a vida corre na polpa dos dedos
como um pêssego rosa
entre dentes

na mortalha de um grito de intenção

josé félix


|

quinta-feira, junho 03, 2004



As eleições europeias e Proudhon

Caros amigos e inimigos

Tenho verificado que poucos têm vertido o veneno no meu blogue.
É que fico deveras entristecido devido à fraca animosidade dos leitores deste espaço; só vem de encontro à minha ideia de que o blogue é efémero e tem os dias contados.

Agora falemos de eleições para deputados para o Parlamento Europeu.
Por acaso, caros amigos e inimigos, sabem o que é que está em discussão nestas eleições? Será o défice português? Será o desemprego português? Será o ambiente português? Será a produtividade portuguesa? Será a Constituição Europeia? Será o alargamento europeu? Será a discussão de uma nova fronteira com a Turquia incluída?

Pois é!Só se sabe que o Professor Sousa Franco tem uma deficiência numa orelha e que o PP é um partido de extrema direita e xenófobo.Isso, dizem todos uns dos outros. Que há cerca de 450.000 desempregados inscritos no I.E.F.P.(Instituto de Emprego e Formação Profissional); segundo Francisco Louçã Portugal é um relvado, etc., et., etc.

Agora leiam só o que diz Proudhon acerca de eleições e representatividade democrática:

«É preciso ter-se vivido nesse retiro isoladíssimo a que se chama Assembleia Nacional, para se conceber como é que os homens que ignoram mais completamente o estado de um país, são quase sempre os que o representam». - Proudhon



«Fazer votar assembleias numerosas, populações em massa, a favor do sim ou a favor do não, sobre questões de nacionalidade, de forma governamental, de política, de propriedade, de ciência, até mesmo de moral pública, é organizar a tirania e consagrar, em nome da soberania popular, a injustiça e a imoralidade». - Proudhon,

A seguir algumas considerações de Francisco Trindade um proudhoniano convicto:

Vê-se que o sufrágio universal é um meio poderoso para adormecer a actividade humana. Nada tem em comum com a soberania popular, com o direito de alguém ser em qualquer momento tão soberano como outro indiví­duo qualquer. Nada tem em comum com a igualdade.

Impor apreciações pela força, é tiranizar. A lei é a opressão suprema, a opressão legal, o direito do mais forte.

Os direitos de um homem não podem depender da apreciação mais ou menos desinteressada de outros homens. Esses direitos existem ou não existem. Se existem, têm que ser exercidos.

Os homens reconhecem à unanimidade que a sociedade actual tem demasiados erros.

Como é que esta sociedade, reconhecida defeituosa por todos, con­segue durar?

Ela dura: Porque há pessoas, os privilegiados, para quem ela é tolerável; Porque os não privilegiados, para quem ela não é tolerável, se resignam, porque não se revoltam.

Com efeito, todas as vezes que os homens são chamados a votar, esse apelo pode ser considerado como o pedido de uma assinatura para o prolongamento do pretenso contrato social.

O primeiro significado da abstenção eleitoral é o seguin­te - Não quero o regime que me impõem e que querem continuar a impor-me.

De aqui decorre que todo o eleitor é um con­servador, porquanto o resultado do seu voto é contribuir para fazer funcio­nar o sistema em vigor.


Por tudo isto não votes!

Como dizia Octave Mirbeau “vai para casa e faz greve”.

ossário

o corpo dos ossos, lume
do tronco no tempo claro
na viagem do calcário
a vida porosa assume.

quanto mais se estaca à terra
mais o pó viaja livre
e mais se alarga a cratera
dos ossos que a vida criva.

no ossário da cal, quimera
exposta de modo grave
pousa já a face inteira
da vida que se faz breve.

são os ossos no meu corpo
já navegam noutro barco.

Félix, José "Geografia da Árvore (a reinvenção da memória)", Muchia Publicações, Lda, Poéticas
de Lav(r)a, Funchal, 2003




|

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

AddMe.com, Search Engine Optimization and Submission Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com






br>


referer referrer referers referrers http_referer