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quinta-feira, junho 03, 2004



As eleições europeias e Proudhon

Caros amigos e inimigos

Tenho verificado que poucos têm vertido o veneno no meu blogue.
É que fico deveras entristecido devido à fraca animosidade dos leitores deste espaço; só vem de encontro à minha ideia de que o blogue é efémero e tem os dias contados.

Agora falemos de eleições para deputados para o Parlamento Europeu.
Por acaso, caros amigos e inimigos, sabem o que é que está em discussão nestas eleições? Será o défice português? Será o desemprego português? Será o ambiente português? Será a produtividade portuguesa? Será a Constituição Europeia? Será o alargamento europeu? Será a discussão de uma nova fronteira com a Turquia incluída?

Pois é!Só se sabe que o Professor Sousa Franco tem uma deficiência numa orelha e que o PP é um partido de extrema direita e xenófobo.Isso, dizem todos uns dos outros. Que há cerca de 450.000 desempregados inscritos no I.E.F.P.(Instituto de Emprego e Formação Profissional); segundo Francisco Louçã Portugal é um relvado, etc., et., etc.

Agora leiam só o que diz Proudhon acerca de eleições e representatividade democrática:

«É preciso ter-se vivido nesse retiro isoladíssimo a que se chama Assembleia Nacional, para se conceber como é que os homens que ignoram mais completamente o estado de um país, são quase sempre os que o representam». - Proudhon



«Fazer votar assembleias numerosas, populações em massa, a favor do sim ou a favor do não, sobre questões de nacionalidade, de forma governamental, de política, de propriedade, de ciência, até mesmo de moral pública, é organizar a tirania e consagrar, em nome da soberania popular, a injustiça e a imoralidade». - Proudhon,

A seguir algumas considerações de Francisco Trindade um proudhoniano convicto:

Vê-se que o sufrágio universal é um meio poderoso para adormecer a actividade humana. Nada tem em comum com a soberania popular, com o direito de alguém ser em qualquer momento tão soberano como outro indiví­duo qualquer. Nada tem em comum com a igualdade.

Impor apreciações pela força, é tiranizar. A lei é a opressão suprema, a opressão legal, o direito do mais forte.

Os direitos de um homem não podem depender da apreciação mais ou menos desinteressada de outros homens. Esses direitos existem ou não existem. Se existem, têm que ser exercidos.

Os homens reconhecem à unanimidade que a sociedade actual tem demasiados erros.

Como é que esta sociedade, reconhecida defeituosa por todos, con­segue durar?

Ela dura: Porque há pessoas, os privilegiados, para quem ela é tolerável; Porque os não privilegiados, para quem ela não é tolerável, se resignam, porque não se revoltam.

Com efeito, todas as vezes que os homens são chamados a votar, esse apelo pode ser considerado como o pedido de uma assinatura para o prolongamento do pretenso contrato social.

O primeiro significado da abstenção eleitoral é o seguin­te - Não quero o regime que me impõem e que querem continuar a impor-me.

De aqui decorre que todo o eleitor é um con­servador, porquanto o resultado do seu voto é contribuir para fazer funcio­nar o sistema em vigor.


Por tudo isto não votes!

Como dizia Octave Mirbeau “vai para casa e faz greve”.

ossário

o corpo dos ossos, lume
do tronco no tempo claro
na viagem do calcário
a vida porosa assume.

quanto mais se estaca à terra
mais o pó viaja livre
e mais se alarga a cratera
dos ossos que a vida criva.

no ossário da cal, quimera
exposta de modo grave
pousa já a face inteira
da vida que se faz breve.

são os ossos no meu corpo
já navegam noutro barco.

Félix, José "Geografia da Árvore (a reinvenção da memória)", Muchia Publicações, Lda, Poéticas
de Lav(r)a, Funchal, 2003




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