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terça-feira, junho 22, 2004



Como estão felizes os portugueses!

Segundo alguns estudos de opinião a produtividade aumentou nestes dois últimos dias em Portugal. Até os intelectuais descobriram que este país existe. Ora opinam os sociólogos acerca da bandeirite, das bandeiras made in China que em vez de castelos colocaram pagodes, ora opinam os sábios da heráldica e medalhística sobre o tamanho da bandeiras e da proporiconalidade das cores que a compõem : o verde e o vermelho, principalmente, além das outras cores simbólicas.

Claro que todos os povos têm direito à felicidade e a demontrarem quanto gostam da sua pátria. Sem o nacionalismo bacoco, acrescento eu.

É por demais evidente que todos os povos têm o direito de emitir opinião e também de a omitir se for necessário. Seria interessante ver uma manifestação do tamanho que estamos a encarar no caso dos empregados que ficam sem trabalho devido à deslocalização das empresas. Isto sou eu a pensar alto.

Os raios, dizem, só costumam cair em locais desertos, portanto não temamos que algum caia numa manifestação nacional - o país inteiro rendeu-se à mística do futebol - pois seria uma desgraça e sobraria pouco povo para a manifestação seguinte.

Há ainda outros sociólogos que vêem muito mais: tudo aquilo que mais ninguém vê. Então inventam-se eufemismos, figuras de retórica, nomes feios que foram buscar às enciclopédias do conhecimento e que estavam guardadas desde o tempo em que estudaram nas universidades e, portanto, ultrapassadas.

Chama-se o Eduardo Lourenço para dar opiniões sobre o fenómeno (tantos fenómenos há nesta época do Euro 2004) o Boaventura Sousa Santos, o antropólogo Moisés Espírito Santo, jornalistas, escritores, padres, e até Deus, que não tem nada a ver com isto, é chamado por cada jogador, por cada seleccionador, mais os santos e as santas que só aparecem em caso de duvidosa aflição.

Até eu, que gosto de futebol e estou farto de ver tantos jornalistas a cometer erros de palmatória na linguagem escrita e falada.

Até ao próximo veneno.

vita brevis

caem do telhado
em desenhos de água
as palavras que
se furtam ao sol

num lamento débil
soltam do salgueiro
finas transparências
as eternidades

que se vão partindo
espelhos narcisos
numa fixação
que é tão luminosa

quanto é a brevidade.

josé félix





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