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domingo, setembro 26, 2004

O meu veneno

É domingo. O país fica mais pasmado, ainda, que os dias da semana. Tudo serve para uma pausa: eleições no Partido Socialista, a busca da Polícia Judiciária em Portimão, as decapitações diárias no Iraque. Não se sabe nada acerca da cultura deste país, e só se fala do rpoblema da colocação de professores uma vez por ano.
Este país é uma sangessuga. Vive dos problemas dos outros e esquece-se dos próprios problemas.

Apesar disso tudo ainda tenho tempo, que é uma coisa preciosa, para fazer algumas leituras e acertar-me com a edição constante de livros e de outros que me vêm parar ás mãos através de amigos e de troca de conhecimentos e saberes.
É o caso de um livro do poeta Fernando Esteves Pinto, "Ensaio Entre Portas", Palavra Ibérica / 1, edição Almargem, 1997. É um livro de poesia que tem a casa como memória e serve-se da palavra porta, polissémica, para nos escancarar a sua escrita; meticulosa, não sincrética. Laiam-no. É um bom livro de poemas. E é da leitura do poema da página 26 do livro que me sirvo de um verso como epígrafe para o poema que se segue e que dedico ao autor.

para alimentar as oscilantes folhagens da voz
Fernando Esteves Pinto(1)

na janela da casa
abro o coração da árvore.
guio a seiva do tronco
rio submerso no chão que habito.
nas margens planto nervuras e bainhas
da nova habitação
lábil no pecíolo das folhas
páginas de tempo medido no parapeito das circunstâncias.
há, mesmo assim, uma voz no fio-de-prumo
que nivela a parede.

inédito de josé félix


(1)Fernando Esteves Pinto, Ensaio Entre Portas, Edição Almargem, Palavra Ibérica / 1, Faro, 1997

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