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domingo, outubro 31, 2004

O meu veneno

A limpeza de sangue

Na Idade Média e no Antigo Regime - aqui entende-se a época que vai de 1620 a 1807 - o Rei ou ou outro senhor, mandava ou dava uma carta de alforria ao escravo, ou mandava passar no Tabelião, para que conseguisse a liberdade antes ou depois da morte do senhor, seu dono.

A Limpeza de sangue era concedida, normalmente, a um judeu ou a muçulmano, os impuros, que se notabilizasse, e fosse reconhecido o seu serviço, em prol da nobreza. Normalmente vinham da burguesia anunciante os cristãos-novos.
A Inquisição, na voz de Antónuio Saraiva, era uma fábrica de judeus.

Mas não é sobre judeus e muçulmanos, em geral, que vos quero dizer. É sobre Yasser Arafat, um dos maiores assassinos e terroristas da História da Humanidade (nos qualificativos cabe também Ariel Sharon), cuja limpeza do sangue está a ser feita em França, país da semente de todos os medos. Porquê? Para que se libertem os jornalistas presos no Iraque? Porque têm cerca de 3 milhões de árabes a trabalhar no país?
A França, e a maioria dos países europeus, pela voz dos seus governantes, com o complexo de esquerda, continuam a preferir viver sob a batuta do senhor Bin Laden e seus sequazes, a terem uma política firme, de não concessão aos princípios da tortura fácil, á decapitação, ao terror. Lembro-me, no tempo da Guerra Fria, que a Esquerda Europeia já dizia: "mais vale vermelho e vivo do que livre e morto".

José Félix




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O meu veneno

O topo e a base da pirâmide - Sistema educativo

Confesso que é sempre difícil falar, dizer, sobre a educação e, por conseguinte, de sistemas educativos.
Os professores e os alunos são as duas faces do sistema educativo. Sobre os alunos, ainda não me vou pronunciar hoje; há considerações técnicas a avaliar para tecer um comentário apropriado.
Contudo, sobre os professores, tenho dois em casa, já posso pronunciar-me com conhecimento de causa por viver de perto com os problemas que os afectam.

A Escola Afonso Domigues, em Lisboa, tem, de entre alguns projectos inerentes à Escola, um Projecto Educativo e Aulas de Acompanhamento. Sucede que alguns professores colocados naquela escola, este ano, não foram recebidos pelo Conselho Directivo da Escola, não foram apresentados aos colegas de trabalho, os docentes, e nem os guiaram para uma visita às instalações da escola.

Prenuncia, esta atitude, um laxismo funcionário e administrativo.

Há professores que pedem apoio sobre O tal Projecto Educativo na escola e sobre as Aulas de Acompanhamento, não havendo ninguém com capacidade para ser interlocutor e fornecer as explicações necessárias para que o recém-chegado se aproprie, o mais rapidamente possível, do conhecimento válido para o ensino que lhes foi acometido.

Aquela escola é um exemplo de muitas outras deste país.

José Félix




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terça-feira, outubro 26, 2004

O meu veneno

Tão iguais e tão diferentes!!!

Eu não tenho nada, absolutamente nada, contra os homossexuais e lésbicas. Leio, ouço e vejo as notícias nas televisões de todo o mundo como toda a gente. Eles querem ser, e dizem que são, e eu também, iguais a todos os homens e mulheres heterossexuais.

Bolas!!! Porquê, então, uma escola só para «gays» em New York? Para quê, então, uma Gay Television inaugurada ontem em Paris?

Afinal, em que é que ficamos? Os homossexuais e lésbicas nem sequer deviam fazer manifestações pelos seus direitos, porque estes, os direitos, são os mesmos para todos os homens e mulheres. As orientações sexuais de cada um dizem respeito a cada um. Parece-me, contudo, ao manifestarem-se do modo como se manifestam, que são realmente diferentes dos outros. e, sendo assim, que o digam claramente, e não passem a vida a dizer que querem ser iguais aos outros. Se são iguais aos outros, procedam, igualmente, como os outros.



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sábado, outubro 23, 2004

O meu veneno

Três ânforas

São três ânforas sobre a mesa

uma com amêndoas
uma com vinho
uma com água

A cada dia um novo lugar
acende três sombras.
Como serão as mãos
de quem as muda?

Jacob Kruz



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O meu veneno

A cronologia, os factos políticos e os outros

"Porque resolveu tomar «essa» atitude ontem e não hoje?" Esta questão foi levantada no noticiário da Rádio Televisão Portuguesa acerca de uma atitude que a Refer tomou sob re o túnel do Rossio. É de espantar!!! Mesmo que o jornalista apresentador faça de advogado do diabo é uma questão mal colocada.
Suponhamos que havia um problema e o túnel ruisse e houvesse passageiros presos na derrocada. A pergunta do jornalista apresentador, acerca da atitude tomada pela Refer seria: porque tomou esta atitude hoje e não ontem?
Estão a entender a incongruência da primeira questão?
Como vivemos num país de burros, como diria o poeta Jorge de Sena, esta questão talvez só seja notada por uma minoria à qual, evidentemente, eu pertenço: sou burro, talvez, como a maioria dos leitores desta Teia, mas sem as orelhas do dito.

O Governo é o «fazedor» dos maiores factos políticos. Não é que daí advenha grande mal. A democracia, sendo a pior forma de governo até se arranjar outra melhor, produz factos políticos todos os dias. Para se ganhar eleições é preciso criar factos políticos, dizer mentiras como se fossem meias-verdades, e por aí adiante.

A classe média (palavra que tenho horror em falar de classe média como em qualquer outra classe) é a mais vulnerácvel das sociedades: a mais permissiva, a mais elástica, porque hoje vota Esquerda, amanhã vota Direita, depois de amanhã vota no Centro; é das classes mais interesseiras, porque vota sómente pelos seus próprios interesses, individualmente. A classe média não é um colectivo como se pretende fazer crer. É um conjunto imenso de indivíduos, que não largam, nunca, o seu individualismo, os seus particularismos.
Os leitores que são da «lasse média» percebem muito bem o que pretendo dizer.




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sábado, outubro 16, 2004

O meu veneno


No país triste, nem uma pulguinha cai na minha teia.

Há um mês que a Joana desapareceu e nem um dedo se encontra, apesar de a P. J. dizer que está prestes a desvendar o crime.
O Benfica - Porto é o espelho do que se passa na sociedade portuguesa; quezilenta, mesquinha, menor, podre. Os noticiários gastam a maior parte do tempo a falar em desporto. Em desporto, não, em tudo que apodrece e está ao lado do desporto.

Disse.

se eu te dissesse que as flores bebem na boca do orvalho
Maria Gomes

o meu segredo

os gatos miam cios na curvatura das telhas.
arranham versos de circunstância
quando a luz beija a laranja no crepúsculo
e os deuses se rendem, religiosamente
na sombra obscura de uma parede
ferida pelo tempo das fotografias.

sal e silêncio na saliva das palavras
as ferramentas do artifício da dor
na comemoração da árvore acesa
pela carícia da chama aberta ao sopro
onde um fogo pede outro fogo
e o vento alimenta a água que atravessa
a península presa no olhar.

há vozes nos recantos da casa
e um cão ladra e uiva numa porta entreaberta.

José Félix
in "a casa submersa"





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quinta-feira, outubro 14, 2004

O meu veneno

O Presidente da República foi prestar vassalagem ao rei de Espanha. Recebeu agradavelmente a condecoração Carlos V.

Ora, Carlos V (1500 - 1558) foi o Imperador da Alemanha, filho de Joana, a Louca, e por morte do seu avo, Fernando, herda as coroas de Aragão e Castela. Do que ele fez, reza a história: o maior Império desde Carlos Magno, a humilhação inligida ao Papa Clemente VII. Desanimado, em 1551, vai para um convento e entrega os tronos de Aragão, Castela e Paises Baixos a seu filho Filipe e a coroa imperial a seu irmão Fernando. Carlos V está ligado à ideia do Império e foi isso que o rei de Espanha, Juan Carlos quis fazer ver aos agraciados, seus súbditos.

Carlos V só casou com D. Isabel, filha do rei D. Manuel I, de Portugal.

É necessário ler os inais.




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quarta-feira, outubro 13, 2004

O meu veneno

A relação com a morte

Vamos convir que a peqena manifestação contra a presença de um edifício que pode tratar os mortos com a dignidade que eles merecem, além de pequena foi exagerada nos comentários de alguns presentes.

Não quero aqui esclarecer quanto à probidade dos proprietários do futuro edifício, nem quanto à legalidade perante a Câmara Municipal de Lisboa. O que me interessa é a relação que os vivos têm, hoje, com a morte. Houve tempos que o homem enterrou os seus mortos dentro de casa, depois no adro das igrejas, e por fim o mais afastados possível da casa dos vivos, em espaços e recintos fechados. Como antes se faziam as vigílias na casa dos defuntos, hoje apressa-se o serviço, despachando-os o mais rapidamente possível do convívio com os vivos (passe o pleonasmo). Há muita gente que deveria ler Guilherme, o Conquistador, de Georges Duby para saber como era encarada a morte no sec XI, e ainda Philipe Aries, sobre o desenvolvimento da relação que homem tem tido com os seus mortos. E ,presentemente, é muito má.

A mim não me importa, absolutamente nada, que haja cemitérios (deveriam ser abertos e não fechados) dentro das cidades, como em Hamburgo, na Alemanha, nem me choca que haja empresas que tratem dos mortos com a dignidade que merecem, uma vez que os familiares querem desfazer-se deles com a maior brevidade possível.

Acho, sim, que devemos ter uma relação mais próxima com os mortos, até porque é essa a finalidade para que vivemos. Pura, e seimplesmente, para morrer.

a teoria da morte

pois.é verdade amigos.
a morte é uma carícia a envelhecer-nos
o rosto e o resto do corpo.
rasga a pele na esquina de dezembro

e espreita fria. sobre ela tenho gestos de ternura
quando o silêncio bêbado de gin
procura na memória um sorriso
impossível na descrição do poema.

é a literatura a intrometer-se
na construção da escrita
e, se a morte é a penumbra na janela
onde um fio de sol brinca na gota

de água que segue o olhar de nada e tudo,
não é a morte que por mim espera.
trago-a comigo até que a carga pese
e o fiel decline e cumpra assim a vida.

josé félix, Geografia da Árvore (a reinvenção da memória), Múchia Publicações, Lda, Poéticas de Lav(r)a, Funchal, 2003


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domingo, outubro 10, 2004

O meu veneno

Pão e circo

Num país normal, digo, com vida, a saída do Professor Marcelo Rebelo de Sousa de uma estação de televisão seria uma coisa normal. Só que este país não existe. Ultimamente tem sido o produto da virtualidade dos mass maedia que cosntroem e desconstroem o país conforme as necessidades de audiência: o famoso share.

Todos sabemos que num país normal há pressões de todos os lados: pressões económicas, pressões políticas, pressões desportivas, e até outras pressões que entram no campo da chantagem, pura e simples.

E só num país adormecido, e atormentado pelas «grandezas» do passado, há alimento para engordar a auto-estima e os falhanços em quase todos os campos da vida de uma nação - (este termo já vai perdendo o significado que teve antes, e com a vinda da aldeia global vai deixando de ter qualquer sentido: não é por acaso que já nem falamos da Alemanha, da França, da Bélgica, e sim da Europa mesclada de contrariedades e outras contradições mais profundas; a Europa actual é também um velho mundo virtual que, mais cedo ou mais tarde vai ter um fim triste).

O problema não é o Dr. Marcelo, nem o Dr. Santana Lopes, nem o Ministro dos Assuntos Parlamentares. O problema é deste país vazio.

Então não é que o jornalista que acompanha a selecção portuguesa de futebol ficou aborrecido com a derrota frente à selecção de futebol do Lichtenstein? Porquê? Então ninguém acha capaz o Lichtenstein de ganhar à selecção portuguesa?

A história está cheia de pequenos que derrotaram os grandes. Lembram-se de David e Golias?

Não há pachorra para tanto!

eu sei amigo

eu sei, amigo, que o flamingo da pirogravura
não tapa o estalido da parede, só.
mexe as asas e movimenta o pescoço longo, o bico
na ponta como a seta a equilibrar o espaço,
com a folhagem seca movimentando-se entre as patas;
navios velhos carregados de clandestinos e de troncos de madeira
e de sonhos desembarcados na outra margem, a das conveniências.
os pássaros azuis do tapete de arraiolos
brincam sob os meus pés em lagoas tranquilas de gin tónico
e nos passos da dança macabra de camille sans saëns
pétalas violeta cobrem-me o copo nu
a olhar com o olhar mais terno do mundo
uma noite estrelada de van gogh
percebes agora, amigo, que a luz
não ilumina tudo, se os olhos permanecem na transparência
das manhãs claras, luzidias, e que cegam à mesma velocidade
com que atravessas a avenida e os teus olhos se perdem
na folhagem do arvoredo e cais fulminado como camus
nas ruas de paris ensolarada?

tenho um pássaro na janela e angustia-me saber
que nunca mais terá o pouso do meu olhar.

o flamingo e os pássaros azuis, os frutos bordados na parede,
têm o sorriso das mãos, os gestos familiares do dedal e da agulha,
a linha serpenteando na serapilheira
fabricando voos, árvores, sentidos que o olhar dos outros dá
às coisas simples, do tempo consertado em vigílias de ternura.

vai a tarde e com ela os sorrisos das mulheres de atenas
que debruçadas sobre o parapeito das janelas
congeminam traições aos ulisses que vagabundeiam pela cidade

José Félix, Antologia Escritas nº1, Encontro de Escritas, Lisboa 2004




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terça-feira, outubro 05, 2004

O meu veneno

"As mulheres tinham o cabelo da cor do sol!"

Caros amigos

Há programas que não deviam passar nas estações de televisão. Um deles é uma história muito mal emgendrada acerca da evolução do homem.
Quando chegamos à altura em que aparece o homo sapiens sapiens, olhado com curiosidade pelo homem de Cro Magnon, outro sapiens note-se, o homem de Cro Magnon repara que as mulheres têm o cabelo da cor do sol. Da cor do sol! Eu penso que a maior parte dos leitores deste maldito blogue são proprietários de um cérebro e terão reparado na incongruência que raia o racismo puro. Lembro que há alguns anos, anos sessenta / setenta, uma professora norte-americana colocou os alunos com cabelos da cor do sol à frente e os alunos com o cabelo mais escuro e morenos, atrás deles. Foi um estudo muito interessante pois verificaram que o estereotipo criado pelos meadia é que os meninos com cabelos da cor do sol eram mais inteligentes. Ora, isso é uma mentira redonda. Todos sabemos, sem fazer apologia do que quer que seja, que noventa por cento dos prémios Nobel são judeus e/ou descendentes de judeus e, que nós saibamos, eles não são propriqmente loiros, embora haja alguns judeus com cabelos da cor do sol por esse mundo fora. Há prémios Nobel negros, de literatura.

São estereotipos que historiadores duvidosos criam com acinte, uma vez que, acredito, não são ignorantes. O que é pior!

numa folha velha
da árvore ressequida
o espelho do rosto(1)


José félix

(1) Homenagem a Matsuo Bashô




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domingo, outubro 03, 2004

O meu veneno

Continuo a deliciar-me com a política à portuguesa: o Engenheiro José Sócrates diz que vai votar contra o Orçamento do Estado «se». É um delírio!

O ministro da Cultura não existe; o ministro das Cidades tem andado a visitar outra região da Grande Espanha; o Primeiro Ministro foi até Nova Iorque e cortam-lhe na casaca. Desde Cavaco Silva que cada vez mais ninguém se lembra dos rostos dos ministros que compõem os Governos. Se é que existem! Parece que o único ministro e o único ministério que existe é o da Defesa. Isto é mau, muito mau!

É um país em férias, constantemente. Por que não chamar um grupo de gestores estrangeiros, pagar-lhes bem para gerir esta grande empresa de serviços que é Portugal, uma vez que os técnicos nacionais não são capazes de a gerir?

a urgência da flor

tenho a urgência da flor
na libertação do pó
e na água renascida
a cada instante.

tenho a marca da navalha
da manhã morta na aurora
do sangue doce o desejo
de um fio de seda pura

colado no corpo em espera.
urgente é o traço da noite
na linha crepuscular

do bater de cílios quando
cavalga na luz a sombra
do homem abandonado.

inédito de José Félix
01102004





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