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domingo, novembro 07, 2004

O meu veneno


o silêncio

o silêncio, na escrita, pode ser
um maremoto, a onda que cobre a ilha,
o estilete espetado no coração
ou, sei lá, o grito de münch nas várias interpretações.
acima de tudo, é a frase mais completa
sem a construção de lexemas e a sua polissemia.
o silêncio é a ambiguidade do sim e do não,
é a luz dos objectos na sombra esquiva,
é o assobio da noite no eco da solidão.

quantas vezes caminhamos na própria sombra
movimentando-se morta nas paredes brancas,
e nos caminhos iluminados pelo néon das cidades?

páras e a sombra abraça-te. andas e ela caminha
sob e sobre os pés à procura do centro do círculo,
sempre, cada vez mais, longe e fundo no íntimo do pensamento.

a escrita é outro silêncio renovado na ponta da caneta
ou nas teclas do computador que as mãos idosas
enraivecem desesperadamente infantis.

as palavras são a carícia breve de uma dor construída
na letargia da tarde envenenada pelos precipícios,

breve na angústia longa como as construções de deus.

José Félix
inédito 07.11.2004



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