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terça-feira, novembro 02, 2004

O meu veneno

A morte é a única certeza da nossa existência.
Ao homem, poeta e amigo, Armando Leal, associado da lista Escritas, falecido no dia 1 de Novembro, a minha dedicatória in memoriam, com um poema feito após a leitura de Páladas de Alexandria.


Vim nu à terra e nu irei para debaixo dela.
Porque me afadigo em vão, se o fim é a nudez?
Páladas de Alexandria(séc VI-V d.C)




Frágil e despojado vem o primeiro
grito como uma faca que fere o vento,
e o sopro magoado encarcera o corpo
no casulo da seda onde a outra mãe
acaricia o lábio com o silêncio
das mãos, que viram ser a vida precária.
Na vida fatigada, na precisão
do tiro da existência, de rojo andamos
à procura do doce ácido a mel,
numa fome execrável de brilho falso,
onde cobrimos de nudez nossos corpos
na mentira do espelho que em vão irradia
o sol nos rostos simples de admiração.
Será o último grito como o primeiro,
na certeza dos nossos corpos, no início
quentes e com afago de muitos lábios,
e por fim frios, póstumos, magoados?
Tal como este poema, e desgraçadamente
nu, viverá morrendo na eternidade.

José Félix
inédito 01.11.2004



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