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terça-feira, novembro 16, 2004

O meu veneno

Às vezes sou visitado por alguns urubús, também algumas aranhas e, claro, por outros bichos que vêm aqui verter o seu veneno, seja por razões psicossomáticas, seja pelas razões as mais estapafúrdias que a natureza enjeitou.
Há a aranha: aranha macho, aranha fêmea; há o aranhiço, o aranhão que é uma aranha muito grande. Aranhiça, confesso que o meu saber não descortinou em qualquer dicionário de língua portuguesa ou de zoologia.

Ora, uma aranhiça - ainda estou patético com esta denominação -, veio fazer-me uma visita após eu ter publicadio um poema meu, dedicado à minha própria pessoa, no dia em que a minha mãezinha me pariu há cinquenta e oito anos: dia 9 de Novembro de 1946.

Faço referência ao discurso poético de uma poetisa angolana, Maria Gomes, onde afirmo que é dos melhores que tenho lido nos últimos tempos, quando hoje se usa a saliva mínima, o fast poetry, o minimalismo na linguagem poética.
Acusa-me de iliteracia, não sabendo, certamente, qual o significado da palavra. Não afirma conhecer o «discurso poético» da autora referida, e ainda tem o desplante de escrever o meu nome, Feliz em vez de Félix.

Pois é, Aranhiça! Discurso, do latim discursu, quer dizer, latu sensu , correr de um lado para o outro; na linguagem poética, chama-se o discurso, a sintaxe particular do poeta. É através da sintaxe que sabemos do estilo de um autor.

Não vou aqui dar uma lição de literatura, pois pagam-me para isso, e muito bem, nas escolas aonde vou. Mas, por favor, recolha-se ao aranhol, viva na aranheira e não use de tacanhêz para emitir uma opinião. Omita-a!!!

Não vou dizer nada acerca da maldade da dita Aranhiça quando diz que os senhores da cruz gamada me encafuaram num gueto sem luz eléctrica e sem jornais. Demonstra má fé, anti-semitismo, sabendo, portanto, da minha qualidade de cidadão judeu. Normalmente, às pessoas deste calibre acontece como aos escorpiões: acabam por morder o próprio espinho e matam-se quando são acossadas.

o outro lado da página

o crepúsculo é o espelho da aurora.
a flor tem um riso simples na gota de água
que permanece na corola aberta ao beijo.

assobios de vento na frágil claridade
lavam os olhos nas pétalas de fogo;
consomem as cinzas do outro lado da página.

josé félix
inédito 16.11.2004




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