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domingo, dezembro 12, 2004


O meu veneno

Como este povo está contente! Em Fevereiro do ano de 2005, no dia 20, vão todos passear e votar naqueles que lhes vão mexer nos bolsos. Viva! Mais um Governo! Em 28 anos já houve 17. E na vizinha Espanha? Em 28 anos houve 4 Governos. Caminhamos de uma forma galopante para o sub-desenvolvimento. Este país é maravilhoso! Quanto mais triste, mais maravilhoso é. Viva o fado!

O país precisa é de fado. Cumpra-se a sina da desgraça. Se não for assim, como é que vamos dizer mal de todos e de toda a gente?

chopin e a morte de um país(1)

tenho a vertigem nos lábios
e o sabor da falésia na espera das mãos.
a virtude é uma folha branca
na tosse de chopin
no compasso da polonaise mentindo
o realismo no disfarce romântico do piano.

a morte de um país é mais que uma máscara
pendurada na parede
ao lado de uma flecha e um arco de recordações.

é a perseguição da sombra
uma pedra sem nome
e mesmo que uma tela abarque todos os disfarces
de um pintor escroque
ou um barco navegue todos os mares e rios,

a vertigem tem sempre a dupla visão
do espaço na tentativa da reconstruir
no outro lado da margem uma sabedoria nova
que limpe a água já que a palavra suicida
impossibilita a iluminação das veias.

nem chopin disfarçado de romântico
me tira os estiletes espetados no coração.

josé félix

(1) Também podia ser a morte de Portugal; apesar de viver em estertor, ainda não se prenuncia o acto final. O poema nasceu da leitura
de dois livros de José Eduardo Agualusa, escritor angolano, Estação das Chuvas e Nação Crioula, ambos de 1997


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