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segunda-feira, janeiro 31, 2005


O meu veneno

F=F

Não é uma fórmula, parecendo uma.
É uma forma de iniciar uma observação ou reflexãop sobre Fausto. Já toda a gente ouviu falar de Fausto de Goethe.

Johan Faustus nasc eu em Roda na província de Weimar, de pais tementes a Deus. Embora lhe faltasse o senso comum e uma certa compreensão, cedo provou ser um bom estudante em vários campos, desde as Sagradas escrituras, as ciências da medicina, da matemática, astrologia, necromancia e profecia.
Todos estes conhecimentos levaram-no a desejar uma comunhão com o Diabo, numa noite, entre as 9 e as 10 horas, na floresta Spesser, perto de Wittenberg.
O Diabo chegou e perguntou-lhe qual era a sua vontade, tendo o Dr. Faustus dito que queria fazer um pacto ao qual o Diabo deveria concordar.

1. Servir o Dr. Faustus tanto tempo quanto ele vivesse,
2. Fornecer informação ao Dr. Faustus, tanta quanto ele necessitasse, e
3. Nunca mentir ao Dr. Faustus

O Diabo concordou na condição de que o Dr. Faustus devia prometer:

1. Ao fim de 24 anos tinha que dar o seu corpo e a sua alma ao Diabo,
2. Confirmar o pacto com assinatura feita com o seu próprio sangue, e
3. Renunciar à fé Cristã.

Começo da história

O Dr. Freitas, o do Amaral, depois de ter fundado o Partido da Democracia Cristã, de antes ter estudado na Universidade e ter conseguido muitos conhecimentos, também, ao fim de muitos anos, talvez os mesmos 24 anos do Dr. Faustus, entregou a alma e o corpo ao Diabo. Renunciou à Democracia Cristã, diz que vai votar no Partido Socialista e agora diz que talvez seja candidato à Presidência da República. Ora, ele dá o apoio ao Partido Socialista para que o eleitorado socialista vote nele aquando das eleições presidenciais.
É a forma mais abjecta, tal como a do Dr. Faustus, que o homem usa para atingir os seus fins obscuros. Abandona a Democracia Cristã como o Faustus de Goethe abandonou a fé cristã

Não sou contra aqueles que mudam de posição, sendo coerentes com os seus princípios.
Os que usam métodos como o Dr.Faustus=Dr. Freitas causam-me náuseas e asco.

Eu sou lúcido! Não voto! E, por isso mesmo, tenho a capacidade eloquente de vomitar sobre estes doutores faustus que pululam por aí, na política à portuguesa. É verdadeiraente diabólica.

a conversa é o intruso da ternura
que as mãos dispensam através do olhar.
assim, a dor persiste nas areias

e remanesce no quebrar das ondas
a espuma de um sorriso dividido
pelos milhões de gotas de água simples;

tão breves que reflectem rostos frágeis
nas margens da península deserta
de espanto e natural admiração.

intrusos são os pássaros que vão
nas rotas dos pássaros que vêm
aleando a dobra dos caminhos velhos
presos na língua deste mar alheio.
asas que ferem vão sarando a terra.

josé félix, in dor peninsular, inédito




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domingo, janeiro 23, 2005


O meu veneno

O surto de gripe que entupiu os hospitais centrais do país bateu-me à porta e levou-me à cama durante 3 dias.
A gripe veio demonstrar que os hospitais de Portugal não estão preparados para resolver, técnica e administrativamente, um surto de gripe ou outros problemas de doenças consideradas menores. A gripe mata. Os doentes sabem que a gripe pode matar mas o atendimento de base é tão insuficiente e insipiente que os hospitais recebem o excesso que deveria ser atendido nos postos de saúde dos bairros, das vilas e das cidades.

Agora, a gripe é outra. Vem no seguimento do último texto que coloquei aqui no blogue: dupont e dupond.
Há o país virtual e o país real. É na altura de propaganda eleitoral que se notam mais as diferenças entre o país real e o país virtual.
O país virtual: 450.000 desempregados, deslocalização de empresas, péssimo serviço de saúde, falta de ideia quanto à educação que se quer para os jovens, falta de um programa quanto à cultura.
O país real: Santana pede desculpa por isto, Sócrates pede desculpa por aquilo, Louçã diz que ele é que sabe o que é uma família porque é casado e tem filhos, à boa maneira salazarista (não vai muita distãncia até ao stalinismo), o Jerónimo ainda não sabe nadar, o Portas finge que é um homem de estado. Vai-se ver, nestes dias, quem mais promete e não vai cumprir.

O país já não está de tanga, está completamente nu. Nu e envergonhado com os políticos que temos. Pudera! Com o sistema educativo que temos tido nestes últimos 30 anos, o que é que queriam?

um gesto

esta manhã perdi
um gesto.

nem sequer, dele, a sombra ficou
para que lhe pudesse desenhar
a aura.

José Félix



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sexta-feira, janeiro 14, 2005


O meu veneno

Dupont e Dupond

Confesso, caros amigos, que desde a minha juventude não tinha a percepção nítida do reflexo de espelhos: Dupont e Dupond. Sócrtaes é a cópia mediática de Santana e/ou vice-versa. Se um diz 101 aparece logo reflectido no outro, 101. Não há como fugir. E mais: além de se reflectirem um no outro, reflectem-se eles próprios, bababndo-se, como se fossem Narcisos imperfeitos.



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segunda-feira, janeiro 10, 2005


O meu veneno

A morte espectáculo

Lamento profundamente que o maremoto tenha provocado tantos mortos na Ásia. Estes acontecimentos dizem bem da nossa pequenez perante acontecimentos desta natureza, da Natureza.

Lamento também que os mídia transformem a morte como um espectáculo a ser mostrado e publicitado até à exaustão. Quanto mais se fala na desgraça humana, mais ela é uma normalidade de que ninguém, com o passar do tempo, liga. Basta! Deixem as organizações vocacionadas para o efeito fazerem o seu trabalho, e bem, sejam elas médicas, das Nações Unidas ou da União Europeia.
Quinze dias a fazer da morte um espectáculo em todas as televisões é dose que a Autoridade para a Comunicação Social e os jornalisatas deviam pôr cobro.

Por aqui está toda a gente preocupada com um dia de mergulho de um ministro nas águas de S. Tomé e de uma juíza a querer saber porque é que o Sr Carlos Silvino se expressa da mesma forma quando quer transmitir o que se passou nas casas de Elvas e noutros locais: «forró bodó com sexo à mistura». A juíza não sabe o que isto quer dizer.

Este país é maravilhoso!

A sombra da morte

Não há mais nada para reflectir.
Depois da morte a capacidade de reflexão fica
reduzida à expressão máxima do silêncio.
É como uma flor morta sobre a campa
no cemitério de Albufeira.
Supõe-se que as plantas estão sempre com viço;
uma forma de prolongar a memória nas visitas
escassas conforme o tempo vai bebendo
o sangue nos carris.

Na mão direita o lápis faber número um, e uma
borracha mole, verde, na outra mão, compõem a sombra no rosto
de António Aleixo; servo de deus, crias um rosto igual
ao do livro da quarta classe, e por baixo
uma das quadras mais conhecidas do poeta.

Sonho-te com o engenho de furar metais, e outras ferramentas,
a coleccionar anilhas e parafusos que servem
para a utilidade nula da respiração.
Admiras como um jardineiro que poda as plantas
e ri com as flores raras e tardias de uma estação qualquer.

A reflexão sobre a sombra é o tamanho
do eco invisível,
a dor que se constrói entre um passo
e outro passo, até que o nome seja a luz
frágil da lareira em fim de conversa.

O cão ladra na cozinha e a tua voz
acaricia os pratos e os talheres.
A conversa flúi como um rio que se faz na chuva
e a doçura das frases fica agridoce
até que te substituis pelas imagens da televisão
com os mortos amontoados no Sri Lanka.

A morte é uma miragem da literatura.

José Félix
10.01.2005(inédito)




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