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quarta-feira, março 30, 2005


O meu veneno

Eu vivo bem com a morte.Eu sei que ela me acompanha desde o dia de nascimento, mas ver morrer os amigos quando menos se espera, ou quando se espera muito mais deles é profundamente doloroso.

JAG, David Pinto Correia, Félix Morreu o meu amigo e poeta José António Gonçalves, Presidente da Associação dos Escritores da Madeira e membro da Direcção da Associação Portuguesa de Escritores. Convivi com ele algum tempo, que culminou nos Encontros de Escritas no ano de 2003, no Funchal, no Dia Mundial do Professor, onde fizemos algumas palestras acerca da Poesia na Rede, e não só. Estivemos presentes, eu, a Sonia Regina, do Brasil, o Professor José Gil que palestrou sobre a Escola do Espectador e o jovem poeta Jorge Vicente com uma palestra brilhante sobre o Passado e o Futuro.
O José António recebia como ninguém. Afável, aberto até à cintura, e magnânimo para com aqueles que não compartilhavam as mesmas ideias.
As Letras, a ilha da Madeira e Portugal ficam mais pobres na Literatura que sempre quisemos. José António, há dias dizias-me que estávamos a fazer a história da Literutura na Rede. É verdade! Escreve-se muito bem na Rede, que muitos autores não precisam de publicar em papel para serem lidos por uma multidão vária de nacionalidades e que comungam da mesma linda língua portuguesa.

Em tua homenagem, meu amigo, que tropeçaste numa pena de pássaro, deixo aqui alguns poemas de poetas de Escritas:


ao josé antónio gonçalves


levou-te a vida, a morte companheira
de muitos versos no vulcão da ilha
e nesta vida puta deixas claras
palavras na simplicidade do sol.
delfos é simples calendário, pedra
a repartir-se em orações e oráculos
na manifestação dos dias malditos.
é um tropeço na varanda, amigo.
a morte e a vida andam sempre juntas
pois que na morte lembrar-te-ei da vida
e o canto da tua voz será sempre vivo.


josé félix


Só (vos) tenho lido,
(não me perguntem porquê)
como se fosse amalgamando
no cadinho das fomes
e cegueiras
a falta e o excesso
de uma ideia nova.
E não é a romper o silêncio
que agora remexo a palavra
há de ser ao invés
um intento de reinventar
uma outra escrita
que transfigure
um ranger de dentes ocasional
num outro mutismo,
a mágoa num grito silente,
a dor no rasgar
de um acaso de fúria
...outro "sem_sentidismo"
impossível de engolir.
Só agito o silêncio
com a bandeira
de uma devoção de meia-idade
a paixão pelo verbo
de José António Gonçalves
num poema sem tempo
sem o bulir de coisa alguma
só o pulsar
do coração
...
teu
meu
da poesia.

Luís Melo


a claridade da ilha
traz sempre os poetas vivos
na folha sagrada do encantamento.

A lua nascerá hoje com brilho
tão diferente. No terraço das
estrelícias estaremos todos
contigo. O oceano será cada
vez mais curto e a terra cada vez mais
em paz. voaremos para as montanhas,
meu Irmão. As catedrais serão douradas
com as tuas letras.

José Gil


Morte, terrível soldado do Caos e da Ruina
Todos os dias espalhas s tua tirania
Opressivamente, lanças o teu cobertor
Pelos mortais, enchendo-os de dúvidas
De inquietações, de saudades incuráveis
E encerras com um simples acto de cobardia
Projectos erguidos ao longo de uma vida
Momentos partilhados em ameno deleite
Promessas de um novo despertar
De um novo sorriso de esperanças

Tragas e perdes nas tuas entranhas
As vidas daqueles que menos merecem
Como Cila e Caribdis vorazes e sombrias
Tentas apagar dos homens que contemplas
Vivendo no constante teatro da vida
A chama e a força que os preenche
Sejam eles os teus arautos de desdita
Ou tão só aqueles que tentavam fazer o melhor
Por este mundo que para ti, de certeza
Nada significa, nunca significará

Em memória de José António Gonçalves

Muito embora não tenha tido o tempo suficiente para conhece-lo em todo o seu esplendoroso talento, consigo sentir nas mensagens de pesar de todos os outros companheiros de escritas a alma combativa de um escritor português... e consigo perceber pelo percurso de vida que o nosso amigo José Félix apresentou a grandeza deste homem que se despediu de todos nós, sem nos deixar nada mais que a recordação da sua existência. Um abraço a todos e em especial aos familiares, deste jovem também ele consternado pela dura realidade da morte.

Rui Sousa

"Não sei o que se passará no Paraíso
os anjos
estão em fuga para a terra"

José António Gonçalves

Palavras de quem, como José Antonio Gonçalves, sabia que Ser um
Mestre seria ter um Trono de Luz...

Poeta olha para o caminho
que percorreste
Conseguiste ser sol poente e aurora
Conseguiste transformar-te em água
em luz, em beleza.
Teu corpo é Poesia
A tua alma é o Mundo!

A morte é só um até breve...


Rita Beja


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