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domingo, março 13, 2005


O meu veneno

Já aqui expus algumas das dificuldades que os poetas têm em publicar os seus livros. Dizem, e muito bem, que este país tem melhores poetas que romancistas. Também é verdade que o prémio Nobel português é um romancista, apesar de ter escrito alguns poemas.
Uma editora do norte de Portugal queria que eu pagasse 1.368,00 euros por 500 exemplares, obrigando-me a adquirir 200 exemplares. Dar-me-iam dez por cento sobre a venda de 300 exemplares, de 6 em seis meses. Eu, confesso, sou péssimo na disciplina dos números, mas não é preciso ser-se um especialista para verificar que eu pagaria a edição, a gráfica, a distribuição, e os lucros antecipados da editora.

A sobrevivência intelectual de alguns poetas é feita através de publicações cooperativistas. É outro problema em virtude de não ser uma prática corrente, o cooperativismo, no meio intelectual português . Há corporativismo, não cooperativismo. Daí publicarem-se algumas antologias de poetas que comungam do mesmo espaço de publicidade: as listas de discussão na Internet

Nasce, assim, a Antologia de Escritas. A nº1 foi publicada no ano passado, e a Antologia de Escritas Nº2 é apresentada na Casa do Artista, em Lisboa, no dia 19 de Março, às 16:00 horas. Tanto o discurso poético como a linguagem poética são diferentes, como são diferentes as origens dos autores; Angola, Brasil e Portugal.

Do que ali é publicado dou-vos uma amostra com alguns poemas de vários autores.

pintura

Se fosse pintura esta palavra que tenho na voz,
podia chegar até ti
numa cor aberta contra este domingo doente de cores.
Podia ser um desenho de uma flor demolhada nas lágrimas,
num pastel e aguarela fazendo um aquário de memória que guardo de ti.
Essa pintura que chegasse até ti podia ser a palavra que tenho na voz.
Uma palavra resgatada na fenda dos dias sempre iguais e tão sóbria como este domingo cinzento, sem tempo e sem fim.
Esta palavra é o amor que sinto por ti
e estaria nos seios pintados na tela,
nos teus olhos serenos e doces escritos de guache,
nas tuas coxas, no teu cabelo, nas tuas mãos.

Se a minha palavra que guardo na voz fosse pintura,
podia ser
que tu visses quanto de ti está em mim,
que é tudo o que guardo numa palavra,
que se encontra na minha voz,
que me faz saltar para a frente,
vencer os dias sem ti.

Constantino Alves

o olhar fixo da navegação

caminhei sobre as águas e o milagre
da flor aberta ao sol
iluminou a fantasia
de um quadro de miró.

risquei na areia um barco
e desenhei a tarde
com o olhar fixo da navegação

José Félix

a voz do deus

a palavra, mais do que escolhida, ocorre,
e o poema, até na forma se me impõe.
na voz da pítia, dizem, ecoava a voz do deus.

Gonçalo B. de Sousa




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