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terça-feira, abril 05, 2005


O meu veneno

Há homens importantes que nos merecem o maior respeito. Há homens cuja importância advém de cometerem atitudes que vão contra a natureza humana, subvertendo-a a tal ponto que conseguem a reverência e o tributo da canalha.

A morte é a coisa mais natural do percurso da vida. Dê-se-lhe a importância devida seja em que circunstãncia for.É durante a vida que devemos preparar-nos para a morte, ou seja, estarmos sempre preparados para a ela. Além disso, devemos respeitar a cultura dos povos que se manifestam de modo diferente perante a morte.

George Duby, em "Guilherme o Conquistador" explica-nos de forma sublime a atitude perante a morte, de um senhor feudal, Guilherme, no século XII. Se não há uma inevitabilidade acidental devemos preparar-nos para que o grito final não seja tão doloroso para o próprio nem para os que o rodeiam.

Isto vem a propósito da morte do Papa João Paulo II que, certamente, não quereria que se cometessem excessos de exéquias. Os mass maedia, em minha opinião, terão extravasado alguns limites da decência noticiosa. É claro que o Papa quis tornar o processo da morte, a degenerescência da sua vida, o mais humanamente possível. Também quis dizer ao mundo que ele era um ser humano igual aos outros e com direito ao sofrimento como toda a gente. Fazer como Guilherme, O Conquistador, no século XI, com a festa da morte antes do processo final seria o mais correcto. Prolongar por cerca de sete dias as exéquias fúnebres só traz consequências, manifestamente, negativas para os não crentes, e preincipalmente para os crentes. Deixa de ser uma atitude natural e passa a ser uma atitude mórbida.
Disse.

nomeiam-se os objectos da jornada (1)
e no caminho do primeiro sol
lúdica, ténue, lábil no crisol
o corpo ajoelha a água na alquimia

da madrugada tida à fantasia.
solene e doce nomeia o murmúrio
de um passo grave tido por augúrio
adivinhando a morte anunciada

de grácil juventude que deténs,
fazendo o pensamento de reféns
desejos, castos nas primeiras dores.

é fácil ter-te assim na plenitude,
se reparares que a nobre atitude
te vai acompanhar quando fores.

tenho-te sempre seiva até morreres.

josé félix
04.04.2005


(1) Xavier Zarco


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