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quinta-feira, junho 09, 2005

O meu veneno

A lucidez faz com que tenhamos uma relação razoável com o conceito da morte. Sabemos que é inevitável, portanto, o melhor é relacionarmo-nos com ela, como fazendo parte da nossa vida. Da nossa vida enquanto somos, e sendo enquanto vivemos e até os vermes nos transformarem em proteínas. Aqueles, os vermes, sobreviver-nos-ão até a morte os levarem também.

Daí o poema que se segue, falando da morte e da sobrevivência leve, como uma sombra plácida até que os que nos conheceram se lembrarem, também eles, tenuemente de algumas das nossas vivências.

eu não te digo nada, meu amor
só sei que somos vencidos pelas ervas
e no recôndito silêncio do silêncio
temos por companhia a terra
atravessada de raízes, ou seca
na abertura de gretas sedentas de palntas.
os sorrisos e os gestos, também, mortos,
morrem na lembrança dos que têm
vaga memória de algum pó
que os dedos deixam ao tocarem os lábios
que pronunciam alguma grandeza.
toda a beleza dos versos não é nada,
e aqueles que os lêem, se os lerem,
só perpetuam as imagens criadas
pela invenção estética da escritura
que profana o tempo e o criador
na reinterpretação da vida nova.
não há nada que morra prematuramente,
nem o amor ante mortem anunciado,
e por isso mesmo vivemos um do outro
como uma pérola dentro de uma ostra.

josé félix


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