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domingo, junho 26, 2005

O meu veneno

travadinha (1)

as carícias das árvores no corpo
dançam mornas e dançam coladeras
na rabeca de travadinha.

há um conciliábulo de faunos
inventando desejos na harmonia
do vento, e com a água adormeço
nas casuarinas.

vejo os pássaros impossíveis
brincando no halo de sol
e a manhã presa nas ramadas
espreguiçando-se na margem do rio.

toda a música me pertence
na invenção da voz.

josé félix

(1) António Vicente Lopes, proveniente de uma família humilde, faleceu em 1987, foi um dos maiores tocadores de rabeca de Cabo Verde. Nascido de uma família de músicos ( o pai era violinista e seus sete irmãos tocavam violão) os brinquedos de Travadinha foram os instrumentos musicais que encontrava pela casa, apesar do pai o proibir, aos nove anos já animava bailes locais com a rabeca.Teve de esperar até aos 40 anos para se tornar amplamente conhecido, depois de ter dado uma série de espectaculos em Portugal...Profundamente enraizado na tradição, as suas interpretações desenvolvem-se de um modo original, reiventando sempre cada frase.mais ou menos isto escreveu João Freire, em Novembro de 1992 acerca desse grande talento ilhéu.

Informação cedida pela poetisa Maria Gomes que esteve presente na II Bienal de Poesia de Silves, em 2005


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