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sexta-feira, agosto 19, 2005

O meu veneno

Djalma Filho – A universalidade da poesia.

Ezra Pound, num pequeno texto analítico de um poema de T.S. Eliot, A Canção de Amor de J. Alfred Prufrock, vale-se de um parágrafo de Remy de Gourmont, “Il n’y a de livres que ceux où un ecrivain s’est raconté lui-même en racontant lés moeurs de ses contemporains – leurs rêves, leurs vanités, leurs amours et leurs folies”, para início da sua análise.

Em poesia a opinião é válida, até porque se utiliza com mais proficuidade a qualidade do sonho, rêve, transportando-o para cenários que objectivam a realidade.
A poesia de Djalma Filho, depois de ter lido esta série de poemas que bem poderia constituir um opúsculo, é desprovida de pretensões e, por isso mesmo, direi, completa.
Apesar de configurar um certo regionalismo, de uma certa baianidade, os poemas de Dejá saem do gueto baiano e universalizam-se, quer nas imagens, quer nos personagens bem inseridos em cada texto. O personagem de “Como diria Darwin” tanto pode ser encontrado na Bahia como em São Paulo, Lisboa, Londres ou Nova Iorque. Também no “Aviso prévio”, “Alagadiço”, “O homem do beijo aflito”, “Epitáfio”. “Leonídia”, a noiva de Castro Alves deambula por aí, numa rua qualquer da cidade, ou asilada em qualquer hospício de Paris ou Luanda: “(...) Elas, / assim como Leonídias, / alienadas e fora do tempo / guardarão os versos / - manuscritos e memória - / em um asilo qualquer / na bagagem da loucura pouca / que calará o amor, inconsciente....)”.
Neste último, e “Alfredo fim de noite” e também porque encontro intertextualidades com alguns poemas de Eliot, nos “Quatro Quartetos”, por exemplo, é onde Djalma maximaliza a metáfora da semi-ironia tão cara a T.S. Eliot, descrevendo quadros rigorosos e sempre apreensíveis para o leitor. O poeta tem, contudo, um método próprio de escrita, sendo difícil, por isso, o plágio da sua obra.
Os personagens são actuais, serão actuais, portanto, modernos no verdadeiro sentido do termo. A arte, quanto mais procura os aspectos particulares, mais se universaliza e, concluindo, os seus personagens, além de pertencerem à Bahia, ao Brasil, são também de todos os países.
Concluo, como Ezra Pound: “toda a arte autêntica é realismo de uma ou de outra espécie”.

José Félix


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