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quarta-feira, agosto 31, 2005

O meu veneno

Panem et circenses

A frase em título foi dita por Juvenal (65 – 140) nas Sátiras, X, 81, aos romanos da decadência, que nada mais pediam, no Foro, do que trigo e espectáculos gratuitos.
São palavras de amargo desprezo que reflectem a situação actual que se vive neste país. Já Juvenal criticava a política de pão e circo que os romanos pediam esquecendo-se da res publica.
Ora, passado o tempo grado dos incêndios e terminado o mês em que a maioria dos portugueses fica de bolsos vazios, o tempo de Juvenal sofre um jogo de espelhos. Não é o povo que pede pão e circo, mas são os governantes que dão pão e circo ao povo para que se entretenha com coisas supérfluas, decadentes, e eles governem a res publica de modo a sacarem o cotão dos bolsos do povo. Exemplo disso é o discurso do poeta Manuel Alegre, que num verdadeiro exercício de equilibrismo não caiu do arame mas também não chegou ao fim do percurso para receber os aplausos. Os espectadores ficaram de queixo-caído com a verve e a prosápia do actor.
O país de sátiros, bobos e truões, lá vai caminhando lentamente para a morte, rindo-se ao espelho das suas próprias (des)graças.

o exercício da escrita

guia-me a caneta e guio-a
livremente no papel,
e com gestos de cinzel,
sem usar de forma ambígua

a arte e ofício, nova língua,
separando da babel
palavra a palavra, fiel,
levo vida. depois ligo-a

construindo várias frases
com cimento de outras bases
escondidas no saber.

escrever tem várias fases,
e só os que são sagazes
são capazes de entender.

josé félix


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