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quarta-feira, agosto 24, 2005

O meu veneno

Um país solidário

Por muito que custe a poucos ou por pouco que custe a muitos a solidariedade é aquela que é visível através dos canais de televisão e dos alto-falantes (ou altifalantes) das rádios locais, regionais, nacionais. Normalmente é praticada pelos ricos. O pobre nem sequer sabe o significado da palavra solidariedade.

A solidariedade mais bacoca e provinciana foi aquela que foi dada após o morticínio no cemitério de Santa Cruz, em Dili, que prenunciou a independência de Timor-Leste da bota indonésia. Só o distanciamento no tempo é capaz de afirmar da lhanesa ou não de determinadas atitudes individuais ou colectivas. Timor-Leste seria sempre independente, apesar das manifestações públicas de alguns estratos sociais urbanos do povo português.
Agora, muitos indivíduos que se manifestaram ruidosamente, quais cães acossados, contra o governo indonésio e o seu povo, cairam na hipocrisia de até o estado português ter importado até essa altura, material informático barato daquele país para renovar tecnologicamente alguns ministérios - foi público e publicado por alguns jornais nacionais -, tecem impropérios, entre dentes, contra alguns imigrantes, sejam do leste ou da américa do sul, desejando que eles desapareçam do território português.

Por causa dos incêndios, a maior parte deles de origem criminosa ou por desleixo e falta de cultura dos cidadãos , aparece, novamente, a solidariedade como palavra primeira: nos noticiários, nos "talk-shows", nos "reality- shows" e outros programas de entretenimento que estupidificam os mais indefesos. Do que este país precisa é de cultura.

Ora é o Governo ora são as Autarquias Locais e os institutos de toda a espécie a falarem de solidariedade .
Ninguém faz ou cumpre aquilo que os bombeiros falam há já dezenas de anos: prevenção, limpeza das matas, criação de caminhos apropriados para quando houver necessidade de atacar uma ignição, em suma, ordenamento do território.

Mas não. Este país é o país da solidariedade. Somos todos solidários uns com os outros. Precisamos da desgraça para praticar a solidariedade. O país não vive sem uma desgraça diária: nas tevês, nas rádios, nos jornais, na vida.

O país da desgraça!

O ciúme do gato

Acaricio na folha de violeta
a palma da tua mão.

É tão macia
como a ogiva das tuas coxas.

O ciúme do gato arqueia o dorso.
Tão suave como a seda do vestido
lambe os teus pés e os dedos da minha mão.

Fechas os olhos
e o teu corpo é uma ponte
sobre o meu.

O teu rosto é a iluminação
de Outono.

Afiz ibn Amahd Kuzmãn


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