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quinta-feira, setembro 29, 2005

O meu veneno

Política à portuguesa

Os políticos sabem que confundem os ouvintes, telespectadores, leitores e rádio-ouvintes quando utilizam eufemismos. Isto vem a propósito do muito que se tem dito e falado na pré-campanha eleitoral para as autarquias locais, e mormente desde ontem, dia 28.
Vive-se em Portugal uma situação de pré-inssurreição social, com greves proclamadas por todos os sectores da vida económica portuguesa, desde trabalhadores de fábricas aos polícias, funcionários judiciais e magistrados. A propósito destes, o Presidente do Partido Social Democrata, PSD, Marques Mendes disse que, apesar de todas as razões que os magistrados têm nas suas reivindicações, a greve pronunciada não prestigia a magistratura portuguesa, e que é uma má ideia. Aqui está um eufemismo. O que ele quis dizer é que é contra as greves, direito admitido na Costituição da República Portuguesa, sejam elas pronunciadas por magistrados, funcionários da Administração Local ou por médicos. Se é um direito não tem que prestigiar ou desprestigiar qualquer classe. É um direito, pronto.


ténue

a casa é o precipício onde
a infância morre na traição do fruto.
é de passagem, a casa, na escrita,
reconstruída ruga a ruga com
a parcimónia da literatura.
os quartos, a salinha, o corredor,
um vaso velho com papeis inúteis
e até as vozes da família ausente
estão presentes no eco das paredes
com a fotografia de duendes
a segredar-nos cheiros e conversas.
a casa; envelhece com a idade
de quem a habita na memória, mesmo
que a infância permaneça viva, ténue.

josé félix in a casa submersa
(inédito)

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terça-feira, setembro 27, 2005


O meu veneno



O exílio é a praxis poética para a reinvenção e a renovação constante da poesia. Todos os poetas, de uma forma ou de outra, criam o seu exílio como uma fôrma para estruturarem o discurso, a massa com que seguram os tijolos, os versos do poema.
O exílio de Pessoa é a procura de uma identidade cultural e linguística, uma pátria. O panteísta Gonçalves Dias refugia-se na natureza, cujo exílio, tão bem descrito no poema "Canção do Exílio, se simboliza na saudade e desalento. O exílio poético é uma (re)criação das emoções da infância, a amplificação dos signos com a aquisição de cultura, no presente, uma (re)invenção do futuro.

esquizofrenia


as mãos ferem a água, duplamente.
münch desenha o grito do outro lado,
líquido, na ravina da memória
agreste, no exílio louco, sul,
numa esquizofrenia temperada
no tempo sujo, na reinvenção
da terra arada pela mão da escrita.
dou-te o país, amor, num ramo de
buganvílias vermelhas, restos de
promessas por cumprir, e vãs auroras
que o peito oco traz da infância nua.
tenho outra voz longínqua na garganta
ferida de linguagem familiar,
dos ausentes presentes nesta ausência.

josé félix

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sábado, setembro 24, 2005

haibun(1)


ali converso com as árvores rugosas percebendo a sabedoria velha dos troncos. caem as folhas das ameixoeiras, formando um tapete de fuligem na brincadeira dos pardais. no topo da serra de sintra o castelo da pena ilumina-se na bruma, deixando ver o movimento das sombras sobre as ameias.


sob as folhas secas
ainda trilam os grilos
na tarde de cinza

josé félix

(1)haibun


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quarta-feira, setembro 21, 2005

O meu veneno

Imediatismo - a imunidade do lixo

"A mim já nada me surpreende", disse o dirigente do Partido Socialista Francisco Assis sobre a candidata à Câmara de Felgueiras, Fátima Felgueiras, que regressou do Brasil e se apresentou às autoridades portuguesas.

A mim também já nada me surpreende, e acrescento que não espero nada da Justiça, ao contrário do douto dirigente, viperino, na questão de Felgueiras.
No país da impunidade, o regresso de uma arguida num processo, acusada de 23 crimes, 11 dos quais de corrupção passiva, peculato e abuso de poder, é notícia imediata. A Rádio Televisão Portuguesa gasta cerca de 30 minutos do seu Jornal a falar de Fátima Felgueiras como se o país se resumisse ao umbigo daquela Autarquia, e ao ego de todos os acusados de corrupção e abuso de poder deste país.

É pena! É deles que o povo gosta porque, além de corromperem, e se deixarem corromper, fazem algumas obras nas localidades que dirigem, beneficiando as populações que lá vivem, mesmo havendo sacos azuis e de outras cores, com o beneplácito dos respectivos partidos a que pertencem.

Assim vai o mundo português.

sob as mãos
a voz nasce plena

Xavier Zarco

no outro lado da voz desliza
a água

é a minha mãe
que me vai ensinando
a forma ronda do burgau

nas mãos, iguais às minhas,
vou colhendo
ecos no silêncio, quase

josé félix in o outro lado da fala

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sexta-feira, setembro 16, 2005

O meu veneno

As aulas

As aulas começam hoje, ou seja, as aulas têm vindo a começar durante esta semana, que termina amanhã, sábado. Isto de começar não tem uma data precisa: hora, dia, semana, mês, ano, e mesmo século como se tem provado no estudo da história da humanidade.
Pronto! Começaram com algumas atribulações, quer pela estruturante falta de meios físicos quer pela falta de meios intelectuais. Há escolas no norte de Portugal onde não há aquecimento para o Inverno, e outras onde os aparelhos de aquecimento estão fora de serviço a maior parte do tempo de aulas, com os consequentes estragos nos alunos no nível de aprendizagem. Não há cantinas em muitas escolas, e os professores estão mal distribuidos, havendo escolas com um professor para 4 ou 5 alunos, e outras escolas com excesso de alunos para tão poucos professores.
Não há uma Lei de Bases consensual, ao nível de todas as forças vivas do país, para que dure mais que uma legislatura. O país navega à bolina e já se esqueceu de navegar contra os ventos.

De depressão em depressão, bipolar no caso presente, o país acabará por se suicidar. Já não precisa de Xanax porque está entorpecido e o Prozac já não consegue mudar o humor dos cidadãos. Estes andam desinteressados num constante «deixa para lá»e «não quero que me aborreçam».

Os jovens, que devem ser a revolução das sociedades, estão engolidos pelo poder do dinheiro, da coisa material, e não se importam com a ética. Não respeitam o "Outro" pela diferença.
A juventude deixou de ser a revolução. Os jovens, hoje em dia, salvo as devidas excepções, são constantes movimentos de rotação.

Pela parte que me cabe, ficaria bem triste se o meu filho não tentasse revolucionar a minha maneira de pensar.

a conversa é o intruso da ternura
que as mãos dispensam através do olhar.
assim a dor persiste nas areias

e remanesce no quebrar das ondas
a espuma de um sorriso dividido
pelos milhões de gotas de água simples;

tão breves que reflectem rostos frágeis
nas margens da península deserta
de espanto e natural admiração

intrusos são os pássaros que vão
nas rotas dos pássaros que vêm
aleando a dobra dos caminhos velhos
presos na língua deste mar alheio.
asas que ferem vão sarando a terra.

josé félix in dor peninsular
(livro inédito)


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quarta-feira, setembro 14, 2005

O meu veneno

(In)versão dos valores

O Governo de Portugal e o a Sra Governadora Civil do distrito de Lisboa proibiram uma manifestação das associações de militares.
O Governo Civil de Lisboa autorizou uma manifestação de um pequenino grupo da Extrema Direita, ao qual se vão juntar outros grupos de radicais, no sábado, contra os homossexuais.

O meu olhar em volta
fez-se rupestre de ler as sinas

Luís Melo

à sombra dos cavalos

nasci há 4.500 anos em almendres
e no cobre do tempo temperei
o vaso e a espada, que desenhei
para defender dos inimigos o meu clã.
orávamos palavras incompreensíveis
para o rumor das árvores em dias
de ventania. risquei sóis e bucrânios
com litos do xamã ouvindo cantos
de zambujeiro, fúnebres, iguais
à fala para a morte de um imberbe.
na paciência dos dias tive a mulher
que me coube pelo poder do braço
até que um homem novo ma tirou
e senhor do poder de ler os sinais
incendiou o meu coração.
quando fui para longe
recolhi-me na gruta do escoural
e adormeci à sombra dos cavalos.

josé félix


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segunda-feira, setembro 12, 2005

O meu veneno

Quando há uma grande iliteracia na língua portuguesa, desde o ensino básico até à universidade, o poder político deste país quer que todas as crianças aprendam a língua inglesa. Não sou contra, obviamente, o ensino de qualquer língua estrangeira nas nossas escolas. Sou contra a desinformação do poder que quer fazer crer aos pais e aos professores que a língua inglesa é imprescindível para a competitividade. É uma falácia.
O país mais competitivo do planeta, presentemente, é a China, e este país, que se saiba, privilegia a língua chinesa (veja-se, até, em que língua os dirigentes chineses comunicam quando se deslocam a outros países) como meio de comunicação primeira com os seus interlocutores. Quem quiser que traduza. A língua de comunicação dos dirigentes russos com os dirigentes de outros paises é o russo.

Ligar a falta de competitividade, nem que seja numa percentagem mínima, à falta de conhecimento da língua inglesa não lembraria nem ao Diabo. Coitado!

Sinal menos para esta iniciativa quando deve haver maior preocupação com o ensino da nossa língua.

chuva de ternura

a chuva de ternura inunda a casa.
lembro a minha mãe
os mesmos gestos, meus
acenando nos folhos da cortina
o dia que amanhece. a mesma música
e o rosto dela que se planta na água
caindo da janela. aceso o olhar
descobre a sombra na iluminação da sala.
um gesto mais desprende da parede
as tiras de memória.

josé félix, in a casa submersa


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sábado, setembro 10, 2005

O meu veneno

Afinal, quem é que carregou no botão para os dois edifícios implodirem em Tróia?
Este país é maravilhoso!

[disse-te tudo - ou o precipício da escrita]

à memória de meu pai


um dia dir-te-ei
coisas que só o silêncio
da morte vai falando



diz-se que há coisas que ficam, sempre, por dizer.
eu afirmo, pai, que disse tudo enquanto colheste
flores e aparaste as folhas velhas das plantas do
jardim. a minha fala ia com os cavalos de água, a
galope nos aguaceiros, e os passos, as marcas,
eram a imaginação ribeirinha da conversa enquanto
a chuva relinchava os dias de temporal.
eu com um livro entre mãos e tu cheirando uma
flor e outra flor. ouvia-te pronunciar o nome delas,
soletrando as palavras, sorvendo de cada sílaba o
carácter intrínseco. o pólen. uma rosa, um cravo,
uma dália, campainhas. tornaste-te jardineiro com
os anos, e ouvias as árvores nas diversas estações
como uma sinfonia em 4 andamentos.
lembro-me de tudo o que esqueci, e a única frase
que me remexe o cérebro como um estilete, "vai e
faz-te um homem" é a que me permanece desde
o dia em os vermes começaram a tomar conta do
teu corpo.
não é um sentimento de perda o que eu senti, ou
sinto, mas um orgulho enorme por, nesse dia, ter
vindo de um sol de bruma aquela frase de circuns-
tância. nunca, até então, aquela frase me doeu tanto,
até ao dia em que vais, eu já com mais de meio
século de vida.
ainda assim, perdoa pai, hoje não sei o que é fazer-se
um homem.
disse-te tudo.

josé félix in o outro lado da fala


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sexta-feira, setembro 09, 2005

O meu veneno

NO PAIS DOS SACANAS

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos o são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para fazer funcionar fraternalmente
a humidade da próstata ou das glândulas lacrimais,
para alem das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então neste país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.

10/10/1973
Jorge de Sena, 40 anos de servidão, edições 70, Lisboa, 1989


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quinta-feira, setembro 08, 2005

O meu veneno

As torres gémeas

Há mais de dois dias que me espanto com a abertura dos noticiários das nossas televisões. Escolheram um alvo espectacular transformando-o em reality show.
Então, não é que transformaram a implosão de dois edifícios em Tróia num espectáculo público? Com distribuição de binóculos para os interessados acompanharem a queda de dois imóveis com cerca de 30 anos de idade? Com a presença do Sr. Engº Sócrates, Primeiro-ministro de Portugal, e de mais alguns membros do Governo de faz-de-conta?
Que interesse há em ver através das câmaras de televisão, como se fosse uma peça de teatro, a implosão de dois edifícios? Já não há discernimento neste país?
Não há mais nada de interessante neste mundinho para se mostrar aos portugueses? Os responsáveis pelas estações de televisão não têm outros assuntos, bem mais prementes, para serem discutidos?

"Portugal é um país de sacanas" (1), disse o poeta Jorge de Sena. Eu completo "de sacanas e de burros".

a breve transparência dos dias

clareados, os olhos vêem para além de,
como se estivessem à espera de um cavalo de água.
o galope dos dias balança na crina
do fogoso animal trazendo o mercúrio do desejo.

não fujas do tempo. ele é o teu narciso envelhecido
na contemplação do corpo de sol.
acolhe-te à sombra de qualquer cidade
ela diz-te, sem cura, o que és.

nada te falam as folhas de outono
é o poema, a literatura que constrói
o desalinho percebido nas avenidas.
são as tardes de outono na ficção da escrita.

josé félix



(1)Jorge de Sena, 40 anos de Servidão, edições 70, 1989, Lisboa, pág, 136


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terça-feira, setembro 06, 2005

O meu veneno

ecos

a boca pede a fala
no caminho
de todos os encontros.
sem o eco

o leme solto da navegação
fere nos lábios
uma tempestade
que cruza a quilha do navio ileso.

o outro lado da fala
ganha raízes
no vento em combustão.

é um navio
a boca naufragada
no silêncio.

josé félix in o outro lado da fala


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segunda-feira, setembro 05, 2005

O meu veneno

Não vale a pena o ferreiro continuar a bater o malho para dar forma ao ferro aquecido. Numa época em que os ferreiros estão em vias de desaparecer, a forja, por muito carvão que se coloque, não atinge a temperatura necessária para moldar o ferro frio como a região dos pólos.
É a pasmaceira constante. Não há ideias, e aquelas que aparecem, tímidas, morrem nas intenções.
A sociedade civil está desmotivada e não há política que possa dar a volta e este status quo.

Os discursos da rentrée política, da esquerda à direita, prenunciam que o circo vai atingir o ponto máximo da sua actuação, no início do ano de 2006, aquando da eleição para Predidente da República.

a vida das palavras

ando à procura das palavras úteis
mas tão inúteis que as encontro mortas
numa capa de um livro no jardim.
vadias, as folhas soltam-se
fugindo com o vento
nas mãos da adolescência.
as palavras manuseadas
pelas idades mais diversas percorrem
caminhos de leitura acesa
à procura do labirinto de borges
para aí permanecerem até que as mãos
de um jovem inocente ou o sorpo de um velho sábio
as façam florescer em todas as representações.
não importa que elas tragam as metáforas
as hipálages, frases de fazer de conta
hipérboles, metonímias e muitos adjectivos,
verbos, pronomes, e noções do verso.
as
palavras vão trazer a luz, a escuridão,
conciliábulos de deuses e de homens.
a mentira, o espelho dos meus olhos
o vómito do dia anterior
a puta que passeia na IC 19
procurando clientes fartos de
mulheres gastas.
muitas folhas espalham-se e perdem-se
como as pombas que sobrevoam a copa
das árvores. o silêncio é o que resta
do prolongamento do olhar.
a capa dura, dura mais no tempo
até que o lixo a há-de levar
para lugar adequado quando
for triturada na reciclagem industrial.
perdidas, as palavras de uma capa
hão de magoar até que elas se percam
no destino dos homens escondidos
numa península.
a vida das palavras tem o tempo
que dura quem as lê; ou as perderam
ou mortas, espalhadas pelas urbes,
nos caixotes do lixo desprezadas
por quem, precisamente, se serve delas
para significar o pensamento torpe
na pústula que sai dos próprios lábios.

josé félix


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quinta-feira, setembro 01, 2005

O meu veneno

A procissão de Mário Soares

Segundo José Pedro Machado, autor do Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, e grade cultor da nossa língua, falecido recentemente aos 91 anos de idade, procissão, do latim processiõne-, tem o significado de «acto de avançar, de ir para a frente».
Sucede que, como em todos os sectores da sociedade portuguesa, há um retrocesso galopante, também, na «ciência dos negócios do estado» . Quer queiramos quer não, a própria figura do Dr. Mário Soares é um verdadeiro caminho para trás. A leitura do discurso, com vários erros de pronúncia, denuncia, senão a senilidade mental, um ramal para esse caminho. O profissionalismo de outros tempos não permitiria que houvesse quebra de energia eléctrica por duas vezes.
Não há gente nova que se interesse pelos negócios do estado? Pois bem. Os sucessivos governos, desde o 25 de Abril, que conduziram o Estado Português são os únicos culpados pelo desinteresse generalizado dos jovens, e já das camadas menos jovens, pela res publica devido à transformação dos políticos em classe social.
Por isso, eu digo que a procissão de Mário Soares é um caminho que levar-nos-á, ainda mais, para trás da montanha, embora alguns pensem que é a parte da frente do obstáculo geográfico.
O circo continua dentro de momentos.

No jardim de crisântemos

Amor, és a mais pura das mulheres.

Não precisas dos doze meses
de mirra e especiarias
a que foram votadas as mulheres
do rei Assuero.

E porque nada pedes a ti dou-me
no jardim de crisântemos.

Beijo-lhes os capítulos,
tomo o aroma do teu ventre


e sereno, adormeço.

Jacob Kruz


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