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sexta-feira, setembro 16, 2005

O meu veneno

As aulas

As aulas começam hoje, ou seja, as aulas têm vindo a começar durante esta semana, que termina amanhã, sábado. Isto de começar não tem uma data precisa: hora, dia, semana, mês, ano, e mesmo século como se tem provado no estudo da história da humanidade.
Pronto! Começaram com algumas atribulações, quer pela estruturante falta de meios físicos quer pela falta de meios intelectuais. Há escolas no norte de Portugal onde não há aquecimento para o Inverno, e outras onde os aparelhos de aquecimento estão fora de serviço a maior parte do tempo de aulas, com os consequentes estragos nos alunos no nível de aprendizagem. Não há cantinas em muitas escolas, e os professores estão mal distribuidos, havendo escolas com um professor para 4 ou 5 alunos, e outras escolas com excesso de alunos para tão poucos professores.
Não há uma Lei de Bases consensual, ao nível de todas as forças vivas do país, para que dure mais que uma legislatura. O país navega à bolina e já se esqueceu de navegar contra os ventos.

De depressão em depressão, bipolar no caso presente, o país acabará por se suicidar. Já não precisa de Xanax porque está entorpecido e o Prozac já não consegue mudar o humor dos cidadãos. Estes andam desinteressados num constante «deixa para lá»e «não quero que me aborreçam».

Os jovens, que devem ser a revolução das sociedades, estão engolidos pelo poder do dinheiro, da coisa material, e não se importam com a ética. Não respeitam o "Outro" pela diferença.
A juventude deixou de ser a revolução. Os jovens, hoje em dia, salvo as devidas excepções, são constantes movimentos de rotação.

Pela parte que me cabe, ficaria bem triste se o meu filho não tentasse revolucionar a minha maneira de pensar.

a conversa é o intruso da ternura
que as mãos dispensam através do olhar.
assim a dor persiste nas areias

e remanesce no quebrar das ondas
a espuma de um sorriso dividido
pelos milhões de gotas de água simples;

tão breves que reflectem rostos frágeis
nas margens da península deserta
de espanto e natural admiração

intrusos são os pássaros que vão
nas rotas dos pássaros que vêm
aleando a dobra dos caminhos velhos
presos na língua deste mar alheio.
asas que ferem vão sarando a terra.

josé félix in dor peninsular
(livro inédito)


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