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segunda-feira, setembro 05, 2005

O meu veneno

Não vale a pena o ferreiro continuar a bater o malho para dar forma ao ferro aquecido. Numa época em que os ferreiros estão em vias de desaparecer, a forja, por muito carvão que se coloque, não atinge a temperatura necessária para moldar o ferro frio como a região dos pólos.
É a pasmaceira constante. Não há ideias, e aquelas que aparecem, tímidas, morrem nas intenções.
A sociedade civil está desmotivada e não há política que possa dar a volta e este status quo.

Os discursos da rentrée política, da esquerda à direita, prenunciam que o circo vai atingir o ponto máximo da sua actuação, no início do ano de 2006, aquando da eleição para Predidente da República.

a vida das palavras

ando à procura das palavras úteis
mas tão inúteis que as encontro mortas
numa capa de um livro no jardim.
vadias, as folhas soltam-se
fugindo com o vento
nas mãos da adolescência.
as palavras manuseadas
pelas idades mais diversas percorrem
caminhos de leitura acesa
à procura do labirinto de borges
para aí permanecerem até que as mãos
de um jovem inocente ou o sorpo de um velho sábio
as façam florescer em todas as representações.
não importa que elas tragam as metáforas
as hipálages, frases de fazer de conta
hipérboles, metonímias e muitos adjectivos,
verbos, pronomes, e noções do verso.
as
palavras vão trazer a luz, a escuridão,
conciliábulos de deuses e de homens.
a mentira, o espelho dos meus olhos
o vómito do dia anterior
a puta que passeia na IC 19
procurando clientes fartos de
mulheres gastas.
muitas folhas espalham-se e perdem-se
como as pombas que sobrevoam a copa
das árvores. o silêncio é o que resta
do prolongamento do olhar.
a capa dura, dura mais no tempo
até que o lixo a há-de levar
para lugar adequado quando
for triturada na reciclagem industrial.
perdidas, as palavras de uma capa
hão de magoar até que elas se percam
no destino dos homens escondidos
numa península.
a vida das palavras tem o tempo
que dura quem as lê; ou as perderam
ou mortas, espalhadas pelas urbes,
nos caixotes do lixo desprezadas
por quem, precisamente, se serve delas
para significar o pensamento torpe
na pústula que sai dos próprios lábios.

josé félix


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