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terça-feira, setembro 27, 2005


O meu veneno



O exílio é a praxis poética para a reinvenção e a renovação constante da poesia. Todos os poetas, de uma forma ou de outra, criam o seu exílio como uma fôrma para estruturarem o discurso, a massa com que seguram os tijolos, os versos do poema.
O exílio de Pessoa é a procura de uma identidade cultural e linguística, uma pátria. O panteísta Gonçalves Dias refugia-se na natureza, cujo exílio, tão bem descrito no poema "Canção do Exílio, se simboliza na saudade e desalento. O exílio poético é uma (re)criação das emoções da infância, a amplificação dos signos com a aquisição de cultura, no presente, uma (re)invenção do futuro.

esquizofrenia


as mãos ferem a água, duplamente.
münch desenha o grito do outro lado,
líquido, na ravina da memória
agreste, no exílio louco, sul,
numa esquizofrenia temperada
no tempo sujo, na reinvenção
da terra arada pela mão da escrita.
dou-te o país, amor, num ramo de
buganvílias vermelhas, restos de
promessas por cumprir, e vãs auroras
que o peito oco traz da infância nua.
tenho outra voz longínqua na garganta
ferida de linguagem familiar,
dos ausentes presentes nesta ausência.

josé félix

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