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segunda-feira, outubro 31, 2005

Há um poema à espreita
atrás de cada objeto
à espera de que o descubras
Walter C. de Moura
o poema sai da gaveta, esteta, filosofia,
espreita a caligrafia e aconchega-se na página
exógena. espreguiça cada palavra que atiça
o fogo dos objectos, rotas, astrolábios, alfarrábios
de sentimento incendiado numa rosa que espreita a janela
dos amantes. há gestos inocentes na carícia dos corpos,
a forma do poema mulher, a colher do sabor, a vulva
donde emana a palavra fulva que a vida lava no jardim das cópulas.
cava dentro ígneo o fogo no útero do alfabeto. crepitam brasas.
alteia a chama ateada. o olhar, o incêndio em cada marca da mobília,
a faca na voz do gesto, a família das coisas.

escondo-me, perdido, dando-me na seiva do caminho.
e encontro um poema no desencontro de um sinal táctil,
subtil, de pegar a pétala frágil e no sopro lábil ser pena,
voo, ave. descansa na nervura da folha onde a gota de água
cai simples sobre o ventre, rente ao tronco, da árvore.

a sombra mistura-se na penumbra dos afectos.
os cílios das palavras inclinam e clio conta as eras,
todas as primaveras assassinadas, as flores grávidas
de punhais na sede das bocas silenciosas. poucos rios,
poucos mares e tantos navios a navegar. a água,
virgem, com a palavra intocável do parto da língua,
espuma sonhos. no declive de uma letra à espera
da pronúncia, uma pétala, uma simples pétala,
o lábio que anuncia e descobre o poema.



josé félix


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domingo, outubro 30, 2005

O meu veneno

Os olhos viram tudo para além da copa das árvores, e concluiram que a verdade é uma falácia.

José Félix

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sábado, outubro 29, 2005

O meu veneno

Há tempos escrevi aqui sobre a procissão quando o Dr. Mário Soares disse que ia ser candidato à Presidência da República, para impedir que a ascenção ao mais alto cargo deste país, o de Presidente da República, do Professor Cavaco Silva fosse um passeio na Avenida da Liberdade. Tanto a candidatura do Dr. Soares como as candidaturas do chamado sector da Esquerda pecam por sentido. Todas elas concorrem para impedir que Cavaco Silva ascenda a Presidente da República. É, portanto, um acto de diminuição intelectual.
Aparte o discurso inócuo de Cavaco Silva, por falta de conteúdo, e porque Cavaco não mudou - mudou, isso sim, a estratégia política -, a esquerda complexada priva dos mesmos defeitos, arrogando-se de donos da cultura, da ética, da moral, conceito tão bem desmontado pelo poeta Pedro Mexia no confronto com Mega Ferreira. Tudo errado.
Todos os candidatos devem apresentar ideias e discuti-las nos foruns respectivos e quando são chamados a fazê-lo através de convites dos vários institutos. Cavaco, que não se sabe se é de Esquerda ou de Diereita já conseguiu a adesão popular: o povo gosta de quem é constantemente atacado e fica surdo e mudo às pedras.
Os outros contendores escolheram mal o alvo. Não se candidatam à Presidência da República. Estão só interessados em impedir que Cavaco Silva atinja o objectivo. É típico da Esquerda.
Ainda a procissão vai no adro mas já se vislumbram os anjinhos com asas vestidos de branco, os acólitos, os mestres de cerimónia.
Antes havia o conhecimento da palavra que dava o poder sobre os outros; hoje há o conhecimento do Poder que domina a palavra.

Sou indiferente. Não voto.


Conversa de espelhos

Morre o lobo e o cordeiro na espingarda
que ficou pendurada na oliveira
à saída da cidade de Jerusalém.
As crianças fazem troça dos caídos
com as medalhas de David e Crescente
no peito aberto à alegria solta,
ensanguentada de esperança morta
com a semente da voz de Deus Pai.
As três pombas rodeiam sem direcção
as formosas mulheres da cidade
pedindo para não parirem filhos.
Para que quer um deus as suas filhas
se geram lobos e cordeiros mortos?

José Félix

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quinta-feira, outubro 27, 2005



os passos da corrida

a metade do sonho te completa
no desejo capaz e insatisfeito
porque a vida te faz por defeito
jóia de raro traço trabalhado.

assim tens de correr esse teu fado
de caminhos e terços de oração,
cinzel de farto amor e de canção
colorindo a existência de ampulheta.

narciso, deixa-o em paz na própria água
esvaindo completamente a mágoa
no nitrato de prata da sua vida.

se colheres um dia de cada vez
no perfeito sabor do fruto, a lida
arrefece na dor a acridez,

légua a légua, os passos da corrida.

josé félix

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quarta-feira, outubro 26, 2005

O meu veneno

A banalização

Portugal é um país banal. De ban, entenda-se. ban, termo de feudalismo, «proclamação do suserano na sua jurisdição, circunscrição, defensa, condenação ao exílio».
Como se sabe através do conhecimento da História, na Europa ocidental, Portugal é o único onde não houve feudalismo. O atraso do país é de tal ordem que, agora, devido à desestruturação sistémica, vários sectores da sociedade se comportam como verdadeiros senhores feudais: os advogados, os magistrados, os políticos, os empresários, os padres, os agentes dos agricultores. O Povo, esse, continua a pagar o dízimo para que os senhores banais continuem a usufruir de prerrogativas baseando-se na jus lex para os manter indefinidamente.
Reparem que o povo já não se manifesta. Os operários calaram a voz definitivamente. Os camponeses continuam, no interior recôndito, a plantar o pão que o diabo amassa. E quem se manifesta? Os patrões, os magistrados, as policias, os militares, os advogados, a Santa Madre Igreja.

soprei devagarinho nas tuas penas
e abriu-se-me um sorriso de ave solta.
a graça como rias concluía
que o voo te levava a pena morta.

josé félix

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terça-feira, outubro 25, 2005

O meu veneno

Prostituição - A propósito da proposta de lei de Jorge Lacão

O Sr. Jorge Lacão ainda não se decidiu acerca da forma de legalização da prostituição: se é o modelo sueco, holandês ou alemão. Basta encarar a prostituição como aquilo que sempre foi para a solução ser simples e adequada à sociedade actual.
A prostituição só é vista da forma degradante a partir da Idade Média, com o advento do Cristianismo, tendo sido regulamentada devido aos casamentos arranjados entre a nobreza.
Na Antiguidade, no Antigo Egipto, na Mesopotâmia e na Grécia, as prostitutas eram consideradas sacerdotizas, portanto, sagradas, e recebiam presentes e honrarias em troca dos favores sexuais. Na Grécia eram apelidadas de heteras; eram pessoas cultas, refinadas que se reuniam com os intelectuais. Com a Reforma e a epidemia de doenças sexualmente transmissíveis a Igreja Católica enfrenta implacavelmente a prostituição. A Revolução Industrial e a introdução da mulher no mercado de trabalho, mal paga, faz aumentar a prostituição, uma vez que é aí que a mulher trabalhando em condições desumanas vai conseguir sustento suplementar.
No séc.XX a ONU introduziu recomendações específicas para o controlo da prostituição, reforçadas com o aparecimento de HIV-Sida, tendo a prostituição recebido um rude golpe.
Se se retirar a carga pejorativa que a palavra prostituta tem, a mulher que expõe (prostituir, quer dizer, tão só, colocar-se diante de) o seu corpo para ser servido a outrém é uma igual a tantas outras mulheres que têm outras actividades profissionais.
Além disso, elas são mães de muitos dos políticos que governam este país; são mães de muitos empresários; são mães de padres.
Sob a capa da prostituição passam-se outras coisas bem mais importantes, como se passavam nos finais do Séc. XV, ínício do séc. XVI, ao tempo do Papa Alexandre VI, Rodrigo Borgia, a famosa famíla Borgia. Papas com filhos, concubinas, incestos.
Tal e qual como hoje.

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segunda-feira, outubro 24, 2005




nefertite

nefertite repousa nos meus olhos
ao leve toque dos papiros no jardim.
mantém a beleza que tutmósis realçou
para que vivesse trinta e quatro séculos,
honra dada por aton a quem serviu.
ptah, em mênfis, terá enviado o boi ápis
a tel-el-amarna para que fizesse eterna
a beleza polícroma da mulher de icunáton
nos sinais efémeros, olhar longo.

a serenidade interior do rosto de nefertite
que o artesão amarniano prolongou
faz mais simples a pressa da existência.
o que fica são os lábios no início do sorriso.

por enquanto nefertite é que lembra
icunáton no governo do povo do egipto.
após outro olhar pelo jardim palimpsesto
saberei se a rainha sobreviveria
sem icunáton e a protecção de aton.

ambos foram levados por anúbis
para a eternidade das sombras.

josé félix


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quinta-feira, outubro 20, 2005

Fisherman at sea
The Cholmeley Sea Piece (1796)
Joseph William Turner


a minha voz

a minha voz,
do outro lado do corpo,
reinventa na metamorfose do fruto
o sabor simples das coisas inúteis.
a espuma, nos cavalos de água, brinca
na tarde imaginada enquanto um cão
ladra a filosofia da passagem
da sombra de uma nuvem.
turner esquece-se
da luminosidade sobre as ondas
e o peixe esconde-se, de sob as águas
espreitando a diversão do vento.

josé félix


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segunda-feira, outubro 17, 2005

O meu veneno

O terrorismo psicológico

Desde há quatro anos que se fala acerca da gripe das aves. Desde então a esta parte, o tom ameaçador em relação aos cidadãos tem aumentado, e nos últimos dias, devido ao alarme criado pela sede noticiosa, chegou à fase do puro terrorismo psicológico.
Primeiro, as autoridades que devem ter as estruturas suficientes para debelar ou minorar os efeitos da gripe das aves, ameaçam com a morte proporcional de cerca de doze mil pessoas devido à possibilidade de o virus da gripe se transmitir ao homem e deste para outros seres humanos; segundo, ficam em estado de crise porque os cidadãos esgotaram as vacinas anti-gripe nas farmácias.
Tocam o alarme e depois pedem calma às pessoas. Devia ter sido feito precisamente o contrário: acalmar os cidadãos, e depois, se houver algo de preocupante, tocar o alrme para as pessoas se vacinarem.
Não é utilizando o terrorismo psicológico que se debela um problema em vias de se globalizar devido à migração natural das aves em estado selvagem. Controlar as migrações de aves vomo se faz na Noruega e noutros paises do norte da Europa é muito mais eficaz do que tocar a rebate com o número de mortes possível se o virus da gripe das aves chegar a este quintal que mais necessita de desinfecção do que uma vacina.

para uma chuva oblíqua(1)

por um dia pensei ter o dom da ubiquidade.
o meu olhar relatava o beijo dos amantes
enquanto eu brincava com duas flores
numa tarde oblíqua projectada, por defeito,
na sombra do casario azul e branco.

as crianças e os gatos brincam nas árvores
como deuses iguais, e hoje, assim, antes e agora,
a água inclina-se sobre o rosto numa duplicidade
familiar até que a fonte seca
mostre a sede insubstituível dos lábios.

josé félix

(1) o poema faz parte de um outro poema baseado no "Chuva Oblíqua" de Fernando Pessoa, com a participação de vários poetas no bar Café com Letras, em Entrecampos, num estudo de Escrita Criativa.

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sexta-feira, outubro 14, 2005


Há dois dias, no café do teatro "A Barraca", ao Largo de Santos, nº2, estive na apresentação do livro Sexo Entre Mentiras de Fernando Esteves Pinto.
Foi uma grata surpresa conhecer o autor com quem muitas vezes troquei impressões na Rede, neste mundo vasto dos blogues e da ciberescrita.
O espectáculo que iniciou a apresentação, com dois actores teatralizando vários textos, principalmente os diálogos, foi muito interessante do ponto de vista de captação de interesse dos presentes, tendo-os prendido a atenção para o fulcro das questões levantadas no livro.
A obra, conforme afirmado pelo autor, baseia-se numa leitura de diálogos via Rede, uns autênticos, outros trabalhados naquilo que a ficção permite e exige, trata das relações humanas entre as pessoas, no caso presente entre um homem e uma mulher. Os afectos, a falta deles, as tensões familiares. Uma projecção erótica que não é diferente na Rede, da que se passa fora dela.
Os diálogos têm uma linguagem forte, tensa, mas os termos usados são os do quotidiano de nós todos.
Em minha opinião é uma obra para se ler e pensar, e dá gozo perceber os diálogos em catadupa, com uma forte tensão psicológica que faz lembrar o recente laureado com o Prémio Nobel, o dramaturgo Harold Pinter.
A apresentação foi feita pelo escritor Paulo Nogueira e a editora é a Leiturascom.net de Paulo Querido.

o pólen da tarde

tudo, conforme as águas, vem
no movimento das flores.
uma pétala brinca com o tempo
- visão perpétua das coisas possíveis
no limiar da luz que sobra -, vertendo
a queda do olhar preso no crepúsculo;
a sombra do princípio
no precipício dos líquidos.
o leito é o corpo da corrente
leve, suave e breve
do pólen que murmura na tarde.

josé félix

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segunda-feira, outubro 10, 2005

O meu veneno

A noite que desembrulhou o resultado das eleições autárquicas foi muito interessante. Não vou aqui focar os ganhos e perdas dos partidos porque, como sabemos, os que ganham usam de superlativos e os que perdem nunca o dizem.
Há, contudo, um aspecto digno de nota: - No século XXI, na época da globalização, da técnica informática, da Internet, onde milhões de indivíduos estão ligados à Rede, saliento a capacidade manual que se sobrepôs à capacidade técnico-informática quanto aos resultados eleitorais. E foi um gozo ver que a técnica esteve atrasada duas horas quanto à certeza da informação dada pela via manual; contagem de votos no local e informação via telefone ou telefax.
O que esteve à margem dos atrasos informáticos são coisas de somenos importância. Foi um autêntico falhanço, obrigando os jornalistas a recriarem-se com a situação inusitada.


manual de pintura

a mão desenha a escrita
selvagem da pintura.
na policromia do desejo e da soberba
do traço, do risco prescindível, um rosto polígono
retrata a morte e a vida, a alegria e a tristeza
na fantasia da intriga lúdica, cromática.
a linha engravida a virgem submetida
à ditadura do olhar.
um caos de azul mistura a emoção da água
com o vazio de uma sala
onde uma lágrima, impávida,
olha o seu autor.
perdem-se os pincéis em curvaturas
e no desenho dos frutos
os cheiros escapam-se pelos dedos de tinta.
a escrita pinta a mágoa
a trégua da cor viva
perdida no chão que bebe restos de sangue
de uma dor hemofílica.

josé félix
(inédito)

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quinta-feira, outubro 06, 2005

Sinfonia nº6 em Si Menor, Op.74 - “Patética”
Tchaikovsky


a agonia é a surpresa dos caminhos
imperfeitos. por que rumos, por que
rotas vão os meus passos ambulantes?
as árvores – a terra da alegria,
ó rui belo! – há muito que lhes apodreceram os frutos,
e a seiva resguarda-se ou esconde-
-se na margem dos troncos, no aumento
da sede substantiva.
aparta-se o meu corpo fruto, aperta o meu corpo árvore.
decúbito regresso à primeira água.
acordam os faunos, despertam os sátiros,
bebem a água dos deuses e das ninfas;
envenenam o chão, abraçam-se na
lascívia do trovão cantando coros
impossíveis. despedaçam-se ramos
desfazem-se as copas e uma tropa
pândega delicia-se com os seus filhos.
há luz que já não parece luz e
a escuridão é o refúgio do
sopro ferido. as flores iluminam-se
retendo réstias, linhas de sorriso.

a cidade brinca na água os olhos
dos habitantes. uma felicidade
rústica corre pelas avenidas
dos amantes sem hora, na bebedeira
límpida, rezando promessas que
se perdem na tempestade. a bondade
adolescente prende-se ao sol da tarde
e sobre a sombra dos navios, ao longe,
o eco descansa a voz no horizonte de bruma.

um baile de folhas vem com o vento. os
frutos maduros cheiram a todas as árvores
e um céu de cores explode iluminando
os caminhos apostólicamente.
a boa-nova voa com os cavalos com asas
rasando os cumes e as copas.
o peito tem a largura da alegria
e os dedos caem com o peso da esperança.

inquilinos, os fantasmas descobrem os lábios.
bocas de fogo têm línguas que bebem
o tronco, a mátria da seiva
a radícula genealógica do pomo,
e morta, a árvore deixa no chão, submersa,
a ferida com pequenos caules frágeis
que resistem aos passos na carícia dos vermes.

josé félix in a casa submersa

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segunda-feira, outubro 03, 2005

O meu veneno

O Beijo de Judas

Em todas as campanhas eleitorais, o beijo é o gesto que mais se vê. Este gesto percorre todos os quadrantes políticos, e é ver quem mais beija por metro quadrado. Ora é Francisco Louçã, ora é Jerónimo de Sousa; Marques Mendes, Ribeiro e Castro, José Sócrates; todos os candidatos às autarquias locais, desde a eleição para a Junta de Freguesia até à eleição para a Câmara Municipal e respectivas Assembleias, Municipal e de Freguesia.
Beija-se a criancinha no colo da mãe, beija-se a mãe da criancinha, beija-se o idoso, a idosa, uma prima afastada.
Judas, que se saiba, beijou uma única vez, traindo, por uns míseros trinta dinheiros, o Nazareno. Os candidatos aos lugares autárquicos beijam a torto e a direito nos comícios, nos passeios, nos mercados, nos hospitais, por uns míseros votos .
O povo alimenta a serpente para criar o veneno com que esta os há-de asfixiar.

as pedras da viagem


a luz. a noite. a palavra pedra
na iluminação escura do caminho.
prende-se a voz nas fragas transmontanas,
na sombra dos duendes e na sombra
das outras sombras que caminham sós
em nocturnais conversas, fantasias
de outras realidades consentidas.
destinos são caminhos programados
na luz escura dos desejos que
sombreiam águas, também margens secas
que suportando o leito da viagem
cansam chegadas numa sede calma.
as pedras no caminho são sinais
das luzes mais intensas da jornada.

josé félix
(inédito)

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domingo, outubro 02, 2005

O meu veneno

Os meus queridos leitores, journaliers, já sabem que eu não voto, que sou judeu não ortodoxo, não fundamentalista, e também não sou misantropo. Os leitores que chegam aqui, só agora, através de outros blogues ou informados por amigos e inimigos ficam a sabê-lo a partir deste momento. Não me alongo sobre os malefícios e desperdício de tempo do voto porque já me manifestei em textos anteriores, tendo como base, quase sempre, Proudhom e outros teóricos como Bakunine e Kropotkin.

Começou a campanha para as eleições autárquicas que vai culminar em pôr no poder mais uns quantos bandidos que hão-de fugir para o Brasil ou para alguns países africanos, e depois regressar na época do próximo escrutínio redimidos pelo poder instituído, e pelos comparsas beneficiados pela corrupção passiva e activa.

Eu não apelo a qualquer sentido de voto. Eu não voto, simplesmente. O voto é uma espada de Dâmocles.


versos de circunstância

talvez passe por lá, amigo
e adocemos a tarde de turner
com presentes de circunstância.

vamos desembrulhar a infância;
fazer uma fisga de zambujeiro,
imitar a morte de um lagarto,

aborrecermo-nos com as palavras,
e olharmos um para o outro
na revoada de pássaros.

talvez, amigo, eu passe por lá


josé félix

(inédito)


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