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segunda-feira, outubro 31, 2005

Há um poema à espreita
atrás de cada objeto
à espera de que o descubras
Walter C. de Moura
o poema sai da gaveta, esteta, filosofia,
espreita a caligrafia e aconchega-se na página
exógena. espreguiça cada palavra que atiça
o fogo dos objectos, rotas, astrolábios, alfarrábios
de sentimento incendiado numa rosa que espreita a janela
dos amantes. há gestos inocentes na carícia dos corpos,
a forma do poema mulher, a colher do sabor, a vulva
donde emana a palavra fulva que a vida lava no jardim das cópulas.
cava dentro ígneo o fogo no útero do alfabeto. crepitam brasas.
alteia a chama ateada. o olhar, o incêndio em cada marca da mobília,
a faca na voz do gesto, a família das coisas.

escondo-me, perdido, dando-me na seiva do caminho.
e encontro um poema no desencontro de um sinal táctil,
subtil, de pegar a pétala frágil e no sopro lábil ser pena,
voo, ave. descansa na nervura da folha onde a gota de água
cai simples sobre o ventre, rente ao tronco, da árvore.

a sombra mistura-se na penumbra dos afectos.
os cílios das palavras inclinam e clio conta as eras,
todas as primaveras assassinadas, as flores grávidas
de punhais na sede das bocas silenciosas. poucos rios,
poucos mares e tantos navios a navegar. a água,
virgem, com a palavra intocável do parto da língua,
espuma sonhos. no declive de uma letra à espera
da pronúncia, uma pétala, uma simples pétala,
o lábio que anuncia e descobre o poema.



josé félix


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