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terça-feira, novembro 01, 2005

O meu veneno



Festum omnium sanctorum

O Primeiro-Ministro, Engº José Sócrates, na campanha eleitoral para as legislativas, prometeu cento e cinquenta mil novos empregos. Até aqui, tudo bem. Tudo muito bem.
Em vez de mostrar os novos empregados a entrar para os respectivos empregos que o Sr. José Sócrates disse que arranjava, a televisão filma e entrevista alguns dos 250 novos desempregados de uma empresa a inscreverem-se no Instituto de Emprego e Formação Profissional. Tem sido sempre assim: hoje 250, ontem 75, amanhã 300. Porque não obrigam a televisão nacional a filmar os novos empregados, dos tais cento e cinquenta mil prometidos, a entrarem sorridentes, alegres e de braço dado no portão da sua nova empresa? Devia-se aplicar uma coima à Comunicação Social por não estar a cumprir a sua função.

cartas íntimas

já não se escrevem cartas íntimas como antes
daquelas que começam por meu caro amigo
senhor fulano caro senhor com o nome
a data e o local de onde era remetida.

cartas que falam da intimidade mais íntima
como a agonia de cortar uma flor cerce
para dizer de um beijo perdido na boca
presa à fala de uma palavra interdita.

nem só de tempo se construíam as frases
porque o desenho da semântica vivida
tornava mais próximo o outro na leitura fácil
lúdica quase da interpretação das plantas.

pois era assim que toda a gente começava
por decifrar a cor das pétalas colhidas
a cada dia ou numa frase do papel
página que aconchega as emoções tardias.

na confissão aberta da palma da mão .
como ficava mais perto aquele endereço
no movimento simples dos dedos, da escrita,
numa carícia breve à sombra da memória,

beijando as margens de uma carta provisória
conforme as linhas, rios cheios de palavras,
intenções de alma, o fogo ardido até que acabe
a lenha e cure o lenho de um olhar ferido.

talvez escreva a carta como antigamente
na folha de uma planta verde. na nervura
desenho um sol antigo e no limbo o azedume
é no crisol do tempo. permanecerá

até que o vento limpe as folhas de fuligem.
meu caro amigo, o tempo tem vestígios lúcidos
convenientes à contemplação do fruto
grado, maduro, à espera de soltar sementes

em terra fértil onde vão todas as águas
e depois brotam das arestas da memória
as sombras de uma árvore reconstruída
uma bebida de palavras pronunciadas

no olhar penumbra, a escrita umbrátil que se prende
ao fio dos lábios que só pedem a presença
do espelho das palavras fixas na outra margem.
a carta, assim escrita, feita de silêncio

de imagens lidas na travessa doutro tempo
acariciada pelos dedos, permanência
de afectos e emoções navegadas nas rotas.
há sempre tempo para a carta de intenções.

josé félix

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