<$BlogRSDUrl$>

domingo, novembro 06, 2005

O meu veneno


Um país de brincadeira

Perfilam-se nas linhas de partida os pinóquios deste país de brincadeira.
Não se sabe até quanto irão crescer os respectivos narizes, cujas inverdades, algumas mentiras começam a substituir a falta de ideias. Não há sentido lúdico que valha para entreter aqueles que assistem ao espectáculo e, ainda por cima, que pagam com o voto inócuo as cenas tristes dos respectivos actores: os pinóquios.
Um, bonacheirão e senil, segue irremediavelmente para a porta do esquecimento. Outro vai-se profissionalizando como pode e quer, atraindo os incautos para a sombra dos sonhos. Outro, ainda, falsamente resistente, depois de ter semeado palavras ao vento que passa, esquece-se de um verso na algibeira. Há outro, pinóquio ,modelado na argila das ditaduras que não sabe o que quer nem ninguém conhece o que pretende. Por último, um pinóquio que vai acabar por ir para a clínica com uma forte dor de rins.
E todos aplaudem.

Basta un poco di giorno negli ochi chiari
Depois, Pesaggio VII, Cesare Pavese

ela desce a avenida com a pressa
da água que beija as margens de outra sede
iluminando o dia na passagem
da tarde aflita. a puta mais famosa
brinca no olhar dos sátiros o corpo
aberto à fantasia tão lasciva
daqueles que desejam possuir
da alma, a fragilidade proibida.
a claridade feita no caminho,
com o incêndio, olhos de sabina,
alegra o dia com as sombras, fugas
desta iluminação presenteada
aos olhos cegos de um esboço simples.
por aqui passa, intermitente, a luz.

josé félix
(inédito 2005.11.06)

| |

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

AddMe.com, Search Engine Optimization and Submission Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com






br>


referer referrer referers referrers http_referer