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quinta-feira, dezembro 01, 2005

O meu veneno

1 de Dezembro de 1640

Os portugueses estão cada vez menos portugueses, e são cada vez mais cidadãos de nada.
Continuam a proliferar, hoje, os Miguel de Vasconcelos, os Conde de Olivares. Em Évora, os Manuelinho afogados em impostos, IRS, IRC, IVA e salários baixos, não têm tempo para pensar na Restauração. Pensam em comer, que é o que a palavra, semanticamente evoluida, quer significar.

prelúdio no crepúsculo de um fauno


move lânguido, enrosca o tronco, suave,
lascivo o corpo, vítreos olhos, procura
ávido a flora fértil nos caminhos e ramagens.
fugidia, flora encanta, descobre-se,
tetas cónicas, lácteas, nua de pétalas
e de aromas. estende os ramos, encolhe o caule.
fauno deseja mais que o desejo;
baba no pólen das abelhas que zunem mélicas.
fauno, fálico, frémito físico, oscula único o ar
debatendo-se horizontal, estendido, pedindo,
fingindo o corpo da árvore que adolesce
na estação. flora, tímida, túmida,
perde-se e quer a entrega nos braços de fauno fecundo.
liberta aromas das flores primeiras,
acaricia o tronco no fauno; faceira,
as pétalas hibiscos erógenos abre
na florescência libertadora
e bebe o sol na sede das folhas.
fauno adormece sobre o ombro, sereno,
enquanto flora vai nas asas do crepúsculo.

josé félix

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