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quinta-feira, dezembro 22, 2005

O meu veneno

Dar e receber

A relação entre dar e receber não deve ser vista como uma questão de percentagem, uma relação bipartida: dou para receber. Não é dar vinte por cento para receber oitenta por cento; não é dar oitenta por cento para receber vinte por cento. Só o comércio de produtos, de peças, é feito numa relação constante com a percentagem de dar e com a percentagem de receber. Eu pago por um produto ou peça determinado valor, e, consoante esse valor, tenho uma porção correspondente.
Ora, aqui, não se trata da materialidade das coisas e, sim, de uma relação metafísica com o dar e com o receber. É o princípio básico de ser solidário com os outros.
O que verificamos é que nesta época do ano se amplifica a sede de consumismo (aqui consumismo é tido como uma doença depressiva), que leva o pobre a imitar o rico na oferenda de coisas inúteis. O rico deprime-se com o preço dos produtos; quanto mais caros forem mais se denuncia (uma questão falsa) o poder de compra e o estrato social do rico. O pobre suicida-se, ou fica deprimido, ainda mais, por não poder atingir o número de zeros que determinado produto tem no seu preço.
Evidentemente, o ser humano tem direito à actividade lúdica. Esta está nas mãos dos ricos, e o pobre, se quer distrair-se, alegrar-se, tem que pedir permissão ao rico.
Eu concordo que é preciso haver homens a produzirem riqueza (outro conceito que está desvirtuado), e sublinho o meu acordo que há pessoas, umas mais capacitadas que outras, para a produzirem
O problema é, depois, o acesso a essa riqueza produzida. Ela traduz-se na constituição de infra-estruturas que possam servir todos, sem discriminação; na educação, na saúde, no trabalho, na actividade lúdica.
A minha relação entre dar e receber é esta: dou para dar.

o calendário é uma metáfora do tempo
fernando esteves pinto
todas. as fotografias repousam
sem a luiz da primeira claridade.
na casa, vazia, com a mudança
cuircunstancial da mobília,
o pó a expressão do calendário,
é a literatura a corromper
a visão estreita do presente.

as fotografias resplandecem
a juventude que a prata fixou
e o olhar de hoje envelhece
na comodidade dos dias.

o tempo é um sepulcro
onde, até, a morte rejuvenesce
o princípio do dia

josé félix in o outro lado da fala

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