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sábado, janeiro 07, 2006

claire de lune - debussy

diariamente o sentimento prende-se
àqueles cujo olhar absorve o lado
sombrio de uma árvore em combustão.

noites de fogo e malvasia nos lábios.

um acorde e uma lua cheia de imprevistos
na claridade de uns olhos que perguntam
coisa nenhuma que é uma forma
de se interrogar quase tudo.
será que não tem mais encanto ainda, a lua,
depois de ser pisada pelo homem?
ainda há quem faça versos e
tenha as respostas todas num bater de cílios.

um cão lambe os dedos
e o dia transparece no rodar frenético
dos carros. deuses, mentecaptos, néscios
na margem das estradas clareadas.
um poema nasce e morre à intensidade
de um acidente e o último sopro
é uma flor seca, vasos sem aroma
na brancura geométrica das pedras.

que sentir é este onde os ciprestes
e os álamos vivem do húmus
resto de restos de ossos e vermes.

josé félix



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