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sábado, janeiro 14, 2006

O meu veneno

O galheteiro

O Governo do Estado Português anda preocupado com o galheteiro. O Governo do estado Português não está preocupado em conseguir os 150.000 novos empregos para os cidadãos portugueses. O Governo do Estado Português não está preocupado com a possível deslocalização da empresa automóvel Auto-Europa. O Governo do Estado Português não está preocupado com a fuga aos impostos, porque até concede o perdão aos grandes empresários que foram apanhados na fiscalização da «operação furacão»com o contribuinte por contra de outrem a continuar a pagar a factura dos faltosos. O Governo do Estado Português não está preocupado com o desperdício dos institutos públicos, dos ministérios, das secretarias de estado e das directorias governamentais. O Governo do Estado Português não está preocupado com a cultura, com a educação, com as nossas escolas, com o nosso teatro.
O Governo do Estado Português anda preocupado com o famoso galheteiro. Não tanto com o galheteiro, mas sim com as galhetas. Estas vasilhas pequenas, normalmente de vidro, servem para conter o azeite e o vinagre. Também são utilizadas nas cerimónias religiosas da Igreja Católica Apostólica Romana.
Um dia destes irei ver num restaurante um cliente pedir que lhe seja servido uma embalagem individual, inviolável, de azeite de Grândola, e outro de azeite de Castelo Branco, e outro de azeite de Moncorvo, e outro de azeite de Pêro Viseu, e outro da Guarda, e outro de Montalegre, e outro ainda que não seja da Grécia ou de Itália ou da Turquia. Vai ser uma confusão pegada mas é assim que este povinho de sacanas e de burros gosta de viver.
Cá, por mim, dou vivas ao galheteiro. No meu Governo do Estado da Casa só utilizo o galheteiro com azeite de qualquer ponto do país, desde que seja bom, e com pouca acidez.

sinfonia:4 andamentos


-adagio. allegro non troppo-

crio o poema. no gesto da carícia
a suavidade do pêlo do gato
onde aliso as palavras
de recém primavera.
as flores à janela
prolongam a estação no ritual dos dias.

o gato e a água
o corpo o tempo
na carícia no gesto.

-allegro con grazia-

o gato arranha as frases e as palavras
soltas em brincadeiras de felino
procuram partes do poema

na carícia no gesto
o corpo o tempo.

-allegro molto vivace-

o gato mia nas folhas rasgadas
arranha os versos
desfaz
os poemas que voam pela janela
roçam as flores
amarelas. prolongam a estação
de recém primavera.

o gato e a água
o corpo o tempo.

-finale. adagio lamentoso.

nas palavras perdidas e nos versos feridos
as unhas do gato
fincam o poema
e a carícia. a forma do corpo
adapta o poeta
que adopta

o corpo o tempo
a água o gesto

leve e longa carícia
no pêlo
do gato

josé félix





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