<$BlogRSDUrl$>

quinta-feira, janeiro 26, 2006

O meu veneno

O rescaldo ou o caldo das eleições presidenciais

No dia 22 de Janeiro, dia da eleição para a Presidência da República, o discurso de Manuel Alegre foi interrompido pelas considerações do Primeiro Ministro.
O Engº José Sócrates escolheu outro candidato para concorrer às eleições presidenciais e sofreu uma derrota clamorosa, expressa na divisão dos votos entre os candidatos filiados no mesmo partido. Apesar disso, e, acima de tudo, pelo respeito que merece um candidato às eleições, e é aí que reside o problema, porque é de uma eleição presidencial que se trata e os candidatos são mais importantes do que o Sr. Primeiro Ministro, este, pretendendo diminuir o candidato ganhador, da mesma área política, sobrepôs, acintosamente, o seu discurso ao discurso do candidato Manuel Alegre.
Tudo bem. Ficaríamos por aqui, não fosse a desculpa esfarrapada que acentuou, ainda mais, o acinte do acto no dia das eleições. O Primeiro-Ministro falou em "falsa ideia clara" àquilo que os jornais e a maioria da Comunicação Social transmitiu nos dois dias subsequentes às eleições, acerca do assunto da sobreposição de discursos.
Ora é falsa a ideia, ora a ideia é clara. Sem o querer, o Sr. Primeiro-Ministro disse aquilo que não queria dizer, e confirmou o que as pessoas atentas já tinham visto e ouvido.
A língua portuguesa é muito bonita quando é falada e escrita com a devida correcção. Quando é atropelada causa náuseas.

No exílio das palavras


não é preciso dizer que estive em paris
a olhar no espelho dos rostos afogados no sena
porque eu tenho aqui bem perto do meu punho
páginas de uma árvore maldita
o breviário diário de rostos frondosos
com armas apontadas à nuca desde que se nasce
e com o cheiro a pólvora a vida inteira.

há rios outros rios que transportam
o sangue jovem daqueles que nunca
possuíram a fêmea que estar entre as coxas
de uma mulher é um regresso ao útero
além do prazer que se sente beijar
a corola de uma flor aberta ao pólen.
e há um fogo inédito que renasce
da cinza primordial deixada pelo tronco
o desejo de um fruto engravidado
de sabores com ácidos cativos
o óxido da amplidão de uma copa ilhada.
um canto preso nas asas de um pássaro gigante.

no exílio das palavras no rio imerso
confessa a face esquerda o que a direita tece
a contrariedade de um pais mulher
amor inexplicável nos explicáveis ramos
braços pernas cabelos de água e de mato
na vertigem da viagem virgem
no grito aflito de uma boca escancarada
de diâmetro possível de um eco
no amplexo marítimo martírio ausência.

ah folha morta folha consumida
na criança de um cérebro adolescido
na impossível possível navegação
que não quer entender os gregos
e só se lembra das mulheres suplicantes
porque isso faz sentido por ter medido
a súplica na réplica das mulheres
meninas femininas mãos abrigadas
a degolar os irmãos que mal pronunciam
a palavra mãe lhes bebem o sangue exangues
de pétalas rasgadas com um jardim
iluminado sobre as cabeças. sóis
com brilho sem reflexo no espelho dos olhos.

um afogar de rios entre os rios
como se entendesse a palavra
de uma forma risível pormenor que só
a distância transforma a ânsia no objecto
um sujeito palpável a semântica
de uma árvore morta e de um suicídio
no sena em paris onde não preciso de ir
para me olhar nas águas em combustão.

homem mulher na súplica ecoante
engolido no eco do seu grito.

josé félix


| |

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

AddMe.com, Search Engine Optimization and Submission Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com






br>


referer referrer referers referrers http_referer