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sexta-feira, fevereiro 03, 2006

O meu veneno

O cartoon da Dinamarca

Há uns anos o célebre cartoonista António, no semanário Expresso, publicou um cartoon do então Papa João Paulo II com um preservativo no nariz. Os católicos apostólico-romanos insurgiram-se contra a diatribe do desenhador, correu alguma tinta no bas-fond da Comunicação Social e o assunto morreu aí. Também, do António apareceu um cartoon com uma brincadeira acerca da bandeira da região Autónoma da Madeira. O mesmo sururu, e o assunto acabou por se ir desvanecendo.

Ora, isto passa-se num país que se rege por uma democracia tipo ocidental com os valores da liberdade de expressão com responsabilidade.

Nos paises árabes, como se sabe, não há liberdade de expressão, e a lei que regula a vida dos cidadãos é a sharia, ou seja, a lei islâmica, que é transportada para as comunidades da diáspora, muitas vezes, a maioria das vezes, indo contra a lei dos paises que os acolhem.

De qualquer modo a atitude do cartoonista dinamarquês, sendo responsavelmente livre, fere os seguidores de Maomé por duas razões: primeiro, Maomé não é representado segundo a Lei islâmica; segundo, o cartoonista devia saber isso mesmo, não o representando. Tê-lo feito, e com o carácter bélico, homicida, suicida, de turbante em forma de bomba, é colocar algumas doses de plástico explosivo nas comunidades islâmicas espalhadas pelo mundo. Isto, por um lado. Por outro lado, o cartoonista fez uma representação assertiva do que se passa no Médio Oriente, no Iraque, no Afeganistão, independentemente das razões cabem aos mujahedin.

Não é a razão que faz o homicídio de guerra ser justo.



o silêncio é o ventre da fala
Gonçalo B. Sousa


silêncio, líquido amniótico do grito
da ave que prenuncia o voo na falésia
do corpo em combustão. mas não são, assim, simples,
porque, interditas, as palavras que sobejam
na língua presa às conveniências bastam
para que a linha da vontade súbita-
mente se quebre, e nas margens secas
nasçam jacintos para que se dobre a fala.
é assim, como foi e será no movimento
do gesto de um vulgar beijo, interdito
pelo silêncio que é o ventre da fala.
na escrita, pura, da sinceridade
construída, caminha duende e sombra
a frase nova que dos lábios solta
a multidão cativa, com as mãos
presas à terra da primeira fome.
se um dia, sim, passares por aqui, amigo,
carrega o ventre inchado de silêncio,
e, verás, como as coisas são tão simples,
o nascimento raro de uma flor vulgar
na quietude da maior admiração.

josé félix in o outro lado da fala

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