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quinta-feira, fevereiro 09, 2006

O meu veneno

Todos sabemos que a palavra é uma unidade da linguagem falada ou escrita. Também sabemos que as palavras, quando combinadas, servem para criar frases. É um exercício de escrita. Não creio muito na célebre «inspiração» do poeta, na «voz de Deus», na inspiração das «musas». Acredito, sim, no exercício aturado da escrita. Concebo a escrita como um músculo que necessita de exercício para se manter em forma. A única maneira de manter activo o músculo da escrita é, naturalmente, escrevendo, mas, sobretudo, lendo sobre todas as actividades humanas, embrenhando-se activamente nos seus problemas, na sociedade onde vive, atendo-se, também, em problemas que afectam outras sociedades além das suas fronteiras, convivendo, como nós fazemos aqui, na Rede, de uma forma global. Este é ofício do poeta. O artifício (leia-se «arte» e «ofício») da linguagem. Portanto, trabalho, mais trabalho e mais trabalho, ainda, é que é a verdade. Todo o trabalho poético ou de ficção é uma intertextualidade, ou metatextos, cujo todo se forma de várias partes. Somos influenciados pela comunidade onde estamos inseridos, pela cultura, pelas explosões sócio-políticas e religiosas, ou sem religião, pela tradição aprendida e apreendida no contexto actual. Quanto à interpretação do poema redes ou de outro poema qualquer, digo que a própria análise literária de um texto pode tornar-se literatura. A análise, se bem que sucinta, da Maria José Limeira capta muito bem o/s sentido/s do poema, se bem que Pessoa já disse que "sentir, sinta quem lê». Este último conceito quer dizer que a própria origem social do analista, as suas concepções religiosas, a sua agregação política, até a região onde vive, podem influenciar a própria análise do texto, não sendo, evidentemente, uma condição imprescindível. Neste campo, os próprios historiadores dão o exemplo da afirmação da influência, mesmo à luz dos factos históricos.

in oficina literária(1)

do cupido

do arco do teu corpo
filoctetes dispara
a seta sobre zéfiro

e no vazio incesto
ó minha irmã, repara
é tudo um amorífero.

não sendo este meu texto
a garra a letra fera
é o meu amor sincero.

na gratidão, modesto
na minha voz austera
o sal silêncio de hera

é o desejo liberto
do corpo que exaspera
o teu no monte zero.

josé félix

(1) lista de discussão e análise literária

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