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quarta-feira, fevereiro 22, 2006

O meu veneno

Uma dor lombar, a ciática, a gota, atira-nos, às vezes, para o pousio desejado que, se não fossem aquelas maleitas não o teríamos, e tão bem nos faz. O repouso, se bem que forçado, obriga-nos a ordenar o pensamento e discernir com mais clareza as contradições que nos são apresentadas.
Hoje o país acordou alegre: o Benfica ganhou ao Liverpool, mas o ego faz dizer que os «portugueses» ganharam aos «ingleses» como se tratasse de uma batalha com canhões, mísseis terra-ar, granadas, bombardeamento aéreo e armas químicas e bioquímicas em acção. Jorge Luís Borges já dizia que quando jogava a Argentina com a Inglaterra, eram só 11 jogadores de futebol argentinos contra 11 jogadores de futebol ingleses. Nada mais.
Apesar disso, o país, hoje, vai produzir mais 10 ou 15 por cento que o normal, o dono das fábricas e dos trabalhadores vai sorrir e os despedimentos continuam para a semana.
Por um momento esquece-se dos crimes de colarinho branco, dos autarcas indiciados como arguidos, e até, pasme-se, da redução de pena que recai sobre um autarca arguido num processo de peculato e abuso de poder. O tempo, caros leitores, vai lavando os crimes de lesa-majestade na pátria que se esquece, sempre, dos seus filhos, lembrados atordoadamente na altura da recolha dos votos. Este país que se passeia pelos salões de exposição em exposição, não sabe que a cultura não está pregada nas paredes, nos livros, nas estátuas e na arquitectura.


o tempo hábil


o tempo hábil
na comunicação dos corpos
dá-nos a facilidade do gesto

a voz surpreende um pássaro
no caminho das coisas possíveis

na rebentação do vento
o eco faz-se silêncio

só o desenho do que não é dito
permanece antes e depois dos cílios


josé félix

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