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terça-feira, março 28, 2006

O meu veneno

A pequenez e a pouca importância que o país tem no continente europeu e no mundo também é uma consequência ou inconsequência da actuação política dos governantes. A fraca qualidade intelectual aliada ao laxismo e à sede de ganho de dinheiro fácil através do exercício da política faz deles representantes menores do povo. Faltam às reuniões do Parlamento Europeu, e, quando vão lá, só trazem más notícias parecendo Tirésias quando se preparam para ir a Bruxelas.
Um retrato da importância de Portugal na Europa e no mundo está prateado no trato que o governo do Canadá tem para com os portugueses ilegais e no modo como os trabalhadores portugueses são vistos na Holanda.
Um país pedinte está sempre constrangido à ideia que os outros fazem dele.

a outra janela

não sei porque pertenço a esta janela
talvez seja a distância da qual me acoberto
que faz olhar de soslaio
o movimento lá fora. se lá fora é estar para lá da janela
ou se é estar para cá dos cotovelos que descansam
na pose entretida e sobranceira
a ver o mundo, pequeno ou grande, sei lá
e a minha sombra a brincar com o cão
do outro lado do sol.

tenho a erva fresca na boca e um sentido canino apurado
que deseja a carícia no pêlo, ladrar, fornicar
e sem a pose de cão tecer impropérios
cavar com as mãos, com os pés, com as patas, com os dentes
com o focinho. lamber, lamber-me até que a pureza
fique nos píncaros.

eu sei que esta janela tem todo o sentido.
faz-me olhar mais para o outro, vendo-me.
não é um jogo de cabra-cega onde tocamos uns nos outros
sem sabermos quem somos.
é o espelho que me entra pela casa com o meu reflexo.
com os meus reflexos complexos
com a dislexia dos sacanas visíveis e invisíveis.

a janela. é dela que eu sou não sendo. é o meu palco
de marionetas que movimento no estrondo da gargalhada
é a minha ópera bufa. os bobos. ah os bobos.
são todos bobos desta corte de reizinhos, cortesãos e cortesãs
onde a intriga se move debaixo dos saiotes
no olhar lúbrico, lascivo dos decotes.

tenho a minha janela. só para mim. é daí que movimento
os lábios dos biltres, dos que querem subir na vida
dos ladrões, dos que se deixam roubar e dos que não deixam.
é dali que eu aplauso, apupo, assobio, escancaro a boca
ao tédio até à próxima representação.

a janela. a minha janela sem violetas
ri-se da esquerda e dos seus complexos, ri-se
da direita e das falsas virtudes
ri-se da política melodramática, ri-se
dos cidadãos inconformados
ri-se dos senhores deputados, ri-se
dos ministros e secretários de conveniência
ri-se dos mendigos, donos de empresas, ri-se
dos desempregados, dos operários, dos fumadores de crack
ri-se das putas de covil e de bacharel, ri-se
do sistema e do anti-sistema.

a minha janela é a fotografia na imaginação da pose
na indignação da posse, na violência
da verdade mentida até à exaustão.
a minha janela é a minha janela.
é a minha particular conveniência
sem truques, sem retoques de pintura
é a visão límpida das coisas.
a minha janela é a minha janela.

josé félix

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