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sexta-feira, abril 28, 2006

brancas, fétidas, as penas das pombas
trazem a desgraça de mensageiros
cintados com espadas de carícias.

há uma pátria perdida em cada pena
e a pomba tirésias voa sobre as cabeças
dos crentes apinhados nos oráculos.

as vísceras do homem são o prenúncio
dos feitos gloriosos de outros homens
que se prendem e arrastam nos corpos dos deuses.

uma árvore que é só seiva anima a selva
com olhos nas ramadas e lábios que
não pronunciam o nome das raízes.

josé félix

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terça-feira, abril 25, 2006


O meu veneno


Os cravos não devem ter um dia. Como não deve haver dia do que quer que seja; dia do trabalhador, dia do santo, dia da santa, dia de todas as doenças e do mais que se vai inventando por aí. Os dias de comemorações são constrangedores, e não é comemorando com festins, discursos mal preparados e desconhecimento total ou quase total da história que se vai construindo a memória .

Por um lado, as escolas estão mal preparadas e têm um conselho pedagógico muitas vezes amorfo que não cumpre ou que não o deixam cumprir, até por causa da flutuação dos pedagogos que não chegam a conhecer os alunos que pretendem formar nos aspectos programáticos ,e não só.
Por outro lado, uma grande percentagem da juventude sabe mal o que foi e o que é o dia 25 de Abril de 1974. É um feriado? Tudo bem! O que se comemora não interessa. Como não sabem a data da Restauração e quantos anos Portugal foi dominado pelos Filipes; se foi benéfico o domínio castelhano ou não. É feriado? Tudo bem!

Mesmo hoje, ouvindo a rádio e vendo os canais de televisão portugueses, os jornalistas e os convidados a pronunciarem-se sobre a data de 25 de Abril de 1974 não sabem explicar quais são as diferenças entre antes de 1974 e os anos após esta data. As diferenças de mentalidade, claro.

O 25 de Abril nunca aconteceu. É uma invenção da nova democracia nascida após o 25 de Abril de 1974. Para haver uma revolução tem que haver outra revolução mais importante: a revolução das mentalidades. Esta nunca exitiu. O povo, as instituições públicas e privadas e os políticos continuam a pensar e a agir como se estivessem antes de 25 de Abril de 1974. A mentalidade corporativista da constituição de 1933 ainda está entranhada no cérebro e nas atitudes diárias de cada um. O salazarismo ainda é parte integrante da vida de todos os portugueses.

Dez haiku de Abril

1.
em cima da mesa
um cravo vermelho murcha -
já não deita cheiro.

2.
nas ruas de abril
o povo cansa de fome -
esqueceu os cravos.

3.
nos dias de abril
só os ministros colocam
cravos na lapela.

4.
milhares de cravos
na florista vão secando -
e depois do adeus.

5.
pizza hut mac donald´s -
grândola vila morena
sem cravos global.

6.
logo de manhã
vascas da revolução -
abril vinte e cinco.

7.
no dia dos cravos
os militares de abril
não vestem as fardas.

8.
abril vinte e cinco -
monótono, o discurso
adormece os cães.

9.
abril está morto
no craveiro abandonado -
há muitos discursos.

10.
só se faz de conta
que houve revolução -
abril vinte e cinco.


josé félix


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sábado, abril 22, 2006

O meu veneno

O se

O «Se» é a palavra mais comprida da língua portuguesa. Se os deputados não se baldassem na Assembleia da República não haveria discussões intermináveis sobre o assunto. Se os deputados não confirmassem a balda na Assembleia da República para aprovar a Lei da Paridade não haveria discussões intermináveis sobre o assunto. Se o Ministro da Administração Interna não mentisse não heveria discussões intermináveis sobre o assunto. Se o Ministro da Justiça não seguisse o exemplo do colega da Administração Interna não haveria discussões intermináveis sobre o assunto. Se o Ministro das Finanças não ziguezagueasse quando lê os relatórios da OCDE, do Banco de Portugal e do FMI, os cidadãos que votaram para que ele esteja no poder e aqueles que não votaram como eu ficariam mais elucidados acerca dos sacrifícios que são necessários para diminuir o maldito défice orçamental.

Se o Governo gastasse menos diminuiriam as despesas e não seria preciso aumentar as receitas através de mais impostos. Se os clubes desportivos pagassem os impostos devidos ao Estado, segundo estudos de especialistas em fiscalidade, o défice deixaria de existir. Se aos Bancos fosse exigido o mesmo dever que é exigido ao simples cidadão de pagar os impostos sem qualquer regalia, as receitas do estado aumentariam substancialmente. Se acabassem com as «off-shores» na Madeira, nas ilhas Virgens, Seichelles e Salomão, entrariam mais receitas através de impostos.
Se não houvesse autarcas corruptos que continuam a dirigir as autarquias com o beneplácito do voto, teríamos uma sociedade mais saudável. Se não houvesse deputados, autarcas, Secretários de Estado e, se calhar, até ministros com outros proventos além dos do serviço público que prestam, a saúde do Estado seria melhor.
Mas não! Portugal é um país de se, e por isso continua a ser um país medíocre. Medíocre em todos os sectores. É uma pena. Portugal não tem bons exemplos na sua própria história. Se os teve foram castrados logo à nascença.


a palavra aflita ponteia lábil
quando um gesto certo no tronco largo
folheia a memória na margem leve
e a pele descobre outra pele viva;

há o ramo que se descobre flor
a cada flor morta no madrigal
de pombas e cinza sobre os telhados
que admiro e beijo em s. pedro de alcântara.

a última vela no mar da palha
leva o cheiro da fazenda e canela
para uma qualquer flandres

o grito do império, a visão da morte
de uma pátria que nunca foi e que
inda hoje reclama por que não é.


josé félix


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domingo, abril 16, 2006

fenda aberta

no grito simples
a bebida amarga
a dádiva cruel da flor exposta
à solidão dos nomes.

não sei que pássaro a beijou
ou simplesmente a pétala caída
pré anuncia a derradeira vida
do que foi a alegria da passagem.

sei-lhe os nomes que se pronunciam
na existência dupla da entrega
que se recebe dando o sangue amado.

vulgar a cicatriz aberta exangue
recebe a água e dá a seiva lúdica
arduamente, a dor.

josé félix

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quinta-feira, abril 13, 2006

O meu veneno

Respeito, o substantivo.

As palavras valem o que nós queremos que elas valham. Há os contextos, dentro e fora, que atribuem significados diferentes, são polissémicas, além da génese semântica delas.
Isto tem a ver com a aplicação abusiva de palavras na língua portuguesa, e não só na língua portuguesa, cujos detractores da língua que falam, acabam por se desculpar por terem dado um tiro no próprio pé. Outros, ainda, sabendo da polémica (do grego, polemikê que quer dizer «ciência da guerra») que vai causar, utilizam algumas palavras para manter a conversa falaciosa, num faz-de-conta interminável até que um dos interlocutores se canse.
Isto é o propósito causado pelo debate do programa Prós e Contras de Segunda-feira passada sobre o conflito de religiões e a população de árabes islâmicos, fundamentalistas ou não, que assomam à Europa para conseguirem um melhor nível de vida, o que não têm nos seus países de origem.
O substantivo respeito quer dizer, olhar para trás, reverência, submissão, consideração, apreço, importância , e ainda outros significados. Por todos estes significados e mais outros, os terroristas fundamentalistas islâmicos, os governos que apoiam o terrorismo islâmico com o intuito de causar o aumento do barril de petróleo e as seitas religiosas que alimentam esse terrorismo dando a entender que é uma guerra de civilizações e / ou de religiões não merecem, absolutamente, respeito. Como não merece respeito outra forma de terrorismo praticado por governantes de vários países com o intuito de se apropriarem de bens, corredores económicos, utilizando a mentira e a falácia. Reflectir sobre um assunto não é respeitá-lo. Entender não é respeitar. Definitivamente.
As religiões têm todo o respeito.

canto

subiram as águas, mãe.
da terra inundou de voz a genitália
que o ventre submisso guardou.
todos os deuses cantaram a convergência solar.

josé félix

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terça-feira, abril 11, 2006

O meu veneno

O Professor João César das Neves foi um dos convidados do painel do programa Prós e Contras da Rádio Televisão Portuguesa, Canal 1, acerca do choque das religiões. Completaram o leque de convidados, o Cardeal D. Saraiva Martins, o Professor António Barreto e a Professora Fátima Bonifácio de quem fui aluno na Universidade Nova, na disciplina de História Económica e Social.
O Prof. César das Neves é um provocador. Eu aceito. Só não aceito, e a Professora Fátima Bonifácio também não, que ele tenha respeito pelos terroristas. O Professor em questão disse que abominava o terrorismo mas que respeitava os terroristas. Quis ser tão provocador, tendo conseguido aplausos do público que encheu a Casa do Artista, que descambou para a pior contradição do discurso. Em que ficamos, Sr. Professor? Abomina, como toda a gente, o terrorismo islâmico (é disto que se trata) sem qualquer respeito pelos terroristas, ou aceita o terrorismo com a morte de centenas, milhares de inocentes a favor de uma doutrina de terror, que os próprios terroristas só aceitam com a lavagem psicológica e a promessa de uma eternidade do paraíso?

o hálito das palavras

têm sabor amargo
os frutos da ciência perdida

porque eu construo degrau a degrau
as escadas de jacob

terrível é a visão da sabedoria
na colher da opressão medida
vê que coisas os deuses te oferecem
ficando-te
com o hálito das palavras

josé félix

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domingo, abril 09, 2006

O meu veneno


amor escuso

vem
meu amor
subamos as escadas
vamos ter sexo até ao desespero

eu sei
que
vagamente
depois do desejo vazio
numa conversa informal
no meio de ais e arrepios

falaremos de amor

de alguns conceitos adjacentes
ao acto
do sexo de circunstância
e da constância de amar

depois
passamos ao lado da vida

caminhamos para a morte

e repetimos no calendário
descargas de sémen e orgasmos

com a mistura de palavrões

pelo menos
assim consideradas.

josé félix


à margem: - Este poema, na linha do trabalho que escrevi há alguns dias em memória do poeta norte-americano Robert Creeley causou alguns comentários e análises em listas de discussão de poesia. Pela curiosidade suscitada no prório autor e nos leitores que me têm lido, coloco aqui, também, essas análises pela ordem que entraram na minha caixa de correio.

Ana Maria Costa

No poema do José Félix "Amor escuso" é o título que completa e desdobra o seu verdadeiro significado. Na primeira leitura parece-me ser um poema de amor corriqueiro/vulgar em nada o género do autor. Se não fosse o título "Amor escuso" alterar essa ideia de ordinário para extraordinário, isto é, aironia contida na palavra "escuso" acompanhada pela palavra "amor" transforma "o amor" do poema para um ritual habitual sem o encanto inicial de uma paixão acesa. Melancólico, o poeta utiliza o advérbio de tempo "depois" como gotas de lágrimas que deslizam pelo vácuo.
"depois passamos ao lado da vida / caminhamos para a morte", "depois do desejo vazio / numa conversa informal / no meio de ais e arrepios / falaremos de amor", *depois / passamos ao lado da vida / caminhamos para a morte". O Poeta Félix debate-se em esperanças que se extinguem nas palavras "morte" e "vazio". Irónico, melancólico, triste, inconformado e desesperado o Félix tenta mas sem sucesso definitivo arranjar uma solução para salvar o universo do prazer/amor intenso no uso de palavrões, "com a mistura de palavrões / pelo menosassim consideradas." "amor escuso" é um poema diferente daqueles que estou habituada a ler do José Félix mas em nada menos bonito e bom do que os outros.

Maria José Limeira

Temos nesse texto "Amor escuso" um poeta José Félix que foge ao convencional de sua própria Poesia, assomando ao "erotismo" (?) em sua forma mais bizarra (eu disse bizarra? foi no sentido de "estranha"... mas, já nem o sei...). Nesse ponto, acho que a Ana Maria teve razão, ao externar sua "indignação" (eu disse "indignação"? talvez no sentido de" cobrança", querendo que se devolva a nós o Félix que conhecemose admiramos? ... quem sabe?). O próprio autor lança-nos um desafio, respondendo às análises do seu texto: o autor é seu texto? ou o texto é o autor? Em toda sua obra que conheço e venho acompanhando desde priscas eras dos bons tempos da Lista Escritas (ah, saudades, hein Félix?) esse autor prima pela pesquisa da linguagem, pelos vôos que rasgam os céus com suas asas brilhantes, pelas metáforas mirabolantes, e por aí vai. Aqui nesse texto, há um Félix diferente, porque usa uma linguagem explícita para falar de amor e sexo, lembrando pouco o autor de antes, que acabei de descrever, em poucas linhas (permita-me aliberdade!). A partir mesmo do título, que não tem nada a ver como verbo "escusar", mas sim com ilícito do amor proibido (ou do amor pago?), o texto desemboca no ato propriamente dito, regado a "palavrões". E vocês querem algo mais explícito do que palavrão? Mas, não se pode falar que, em termos de qualidade,o poeta cai nesse texto tão inquietante quanto surpreendente. Apenas é um Félix diferente daquele que desejaríamos amar, principalmente no final do poema onde os dois últimos versos estão "sobrando" (pelo menos / assim consideradas)... Algumas coisas azucrinam, no texto, como "vamos ter sexo", ao invés de "façamos sexo", ou coisa parecida. É... Félix. Todo autor tem responsabilidades perante seus leitores!

Gonçalo B. de Sousa


Vem-me à ideia (talvez abusivamente, não sei), que muito do que fazemos deita as suas raizes no desencanto; Daí nos elevamos, dificilmente, por vezes. Zeca Afonso dizia que as pessoas não acreditam na alegria, e eu acho que a minha geração teima em não acreditar. O amor é como as outras coisas: há uma estética (se quisermos) que tem que ser exercitada. Quando dois se encontram, ainda que pela centésima vez, esse momento é irrepetível. Mas estou a divagar, a afastar-me de Félix, talvez. Este poema parece seco, mas leio nele uma profunda ternura pelo Homem, o Atlas que, diariamente, carrega o mundo nas suas costas.

A minha resposta:

maria limeira, doce jornalista de joão pessoa, o seu texto é deveras interessante. sabe, coloquei dois poemas nas listas de discussão poética, de propósito, ou seja, com o único propósito de provocar em sentido estético-literário, o cérebro daqueles que têm lido ao longo de algum tempo os meus poemas. o acto da criação poética é uma experiência constante. é necessário ter presente a consciência de que se quer, sempre, fazer algo de novo. porquê? para não sermos o nosso epígono. para não nos auto-plagiarmos. quando CRIO (note que friso bem o verbo) o poema, penso irremediavelmente que é o meu último poema; o meu último verso; a minha última estrofe. só assim eu CRIO a diferença, embora, muitas vezes uma dúzia de poemas sejam um poema só: a tal questão do tema e da temática. eu morro antes e depois de cada poema. ele tem que ser único, sincero - no campo da literatura, claro - mesmo que a experiência pessoal transporte alguns laivos para as palavras. da qualidade, maria josé, só o tempo e a leitura farão dele o que se quer que ele seja: um poema moderno que se possa ler daqui a 500 anos, se houver leitores, ou seja levado para estige e se esqueça dele como a mais reles erva daninha, embora, pessoalmente, goste destas ervas terríficas que tudo gastam, desgastam nos "espaços verdes de lazer ". gostei da sua interpretação do poema e de levar o leitor a pensar no "amor escuso". é uma interpretação literária de todo aceitável. o verbo ter é um verbo de posse. como o amor sem sexo ou o sexo sem amor (aqui é o conceito ético-moral que conta, para quem o tem) o sexo é sempre uma forma de posse e de poder (lembro Michel Foucault no livro "História da Sexualidade"). daí não utilizar o verbo fazer que, em minha opinião soaria um pouco falso por ser um verbo leve. A última parte do poema, no que diz respeito aos palavrões, sabemos muito bem que eles são parte integrante do jogo do prazer sexual. "assim consideradas" é mais uma provocação.

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quinta-feira, abril 06, 2006

O meu veneno

Marés vivas

Confesso que apesar de nunca ter sido um bom marinheiro, nunca enjoei quando ia à pesca com o meu pai e com os meus amigos para a zona dos mangais, perto da ilha do Mussulo (não Mussolo como escreve José Rodrigues dos Santos no Codex 632, pág. 27), em Luanda, Angola.
Ultimamente a tempestade tem sido tanta e o meu estômago, que já não é tão jovem como o era nos idos das pescarias, tem andado revoltado, o vómito assoma à boca, de vez em quando, com o balanço do navio ou devido à condução de maus mestres de navegar.
O ministro da Justiça diz que demitiu o Director Geral da Polícia Judiciária; este diz que se demitiu. Um secretário diz que se vai reduzir a taxa de alcoolemia (não alcoolémia) e o Ministro da Agricultura disse que o Secretário quis dizer uma coisa e o público, a Comunicação Social e os vitivinicultores compreenderam mal aquilo que o Secretário disse. Passou a toda a gente um atestado de burrice.
É por estas e por outras que o navio, conduzido por maus mestres na arte de navegar já nem anda à bolina: anda de um lado para o outro, sem leme, sem sextante, sem mapas, cartas, tês, e as velas, rotas, não conseguem reter o vento para uma marinhagem que o leve a bom porto.
Com tanta água no casco e balanços não há comprimidos que bastam para sufragar o enjoo.

expressão da sombra

a frase perde a asa no suicídio
do verso.
o vulto do poema espreita
a face morta na expressão da sombra
que paira no caminho

josé félix in suicidário

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domingo, abril 02, 2006

O meu veneno

O óbvio

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, foi ao Canadá tentar convencer o governo canadiano a exercer menos pressão sobre os cidadãos portugueses ilegais. Disse que o gverno canadiano só está a cumprir com a lei do país. Disse que o governo canadiano tem a lei mais permissiva no que se refere à imigração legal. Disse que os cidadãos portugueses, afinal, não estão a ser discriminados em relação aos cidadãos de outras comunidades. Disse que os cidadãos portugueses que estão a regressar por via da deportação foram, alguns, informados há já dois anos.
Eu pergunto: o que é que ele foi lá fazer?

vestígios

os lugares situam-se nas árvores
como pássaros fugidos das lâmpadas.
são sombras entre a ramagem
que mudam de lugar sem percebermos
a navegação das asas.
os dedos que roçam o tronco lavrado
− aprendi contigo, meu pai, a cheirar a seiva
fresca das manhãs de água − têm o pó
da iluminação dos gestos que chama
para a margem da corrente
os sítios lúcidos, plantando a fala
na descrição dos lábios.

josé félix

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