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sábado, abril 22, 2006

O meu veneno

O se

O «Se» é a palavra mais comprida da língua portuguesa. Se os deputados não se baldassem na Assembleia da República não haveria discussões intermináveis sobre o assunto. Se os deputados não confirmassem a balda na Assembleia da República para aprovar a Lei da Paridade não haveria discussões intermináveis sobre o assunto. Se o Ministro da Administração Interna não mentisse não heveria discussões intermináveis sobre o assunto. Se o Ministro da Justiça não seguisse o exemplo do colega da Administração Interna não haveria discussões intermináveis sobre o assunto. Se o Ministro das Finanças não ziguezagueasse quando lê os relatórios da OCDE, do Banco de Portugal e do FMI, os cidadãos que votaram para que ele esteja no poder e aqueles que não votaram como eu ficariam mais elucidados acerca dos sacrifícios que são necessários para diminuir o maldito défice orçamental.

Se o Governo gastasse menos diminuiriam as despesas e não seria preciso aumentar as receitas através de mais impostos. Se os clubes desportivos pagassem os impostos devidos ao Estado, segundo estudos de especialistas em fiscalidade, o défice deixaria de existir. Se aos Bancos fosse exigido o mesmo dever que é exigido ao simples cidadão de pagar os impostos sem qualquer regalia, as receitas do estado aumentariam substancialmente. Se acabassem com as «off-shores» na Madeira, nas ilhas Virgens, Seichelles e Salomão, entrariam mais receitas através de impostos.
Se não houvesse autarcas corruptos que continuam a dirigir as autarquias com o beneplácito do voto, teríamos uma sociedade mais saudável. Se não houvesse deputados, autarcas, Secretários de Estado e, se calhar, até ministros com outros proventos além dos do serviço público que prestam, a saúde do Estado seria melhor.
Mas não! Portugal é um país de se, e por isso continua a ser um país medíocre. Medíocre em todos os sectores. É uma pena. Portugal não tem bons exemplos na sua própria história. Se os teve foram castrados logo à nascença.


a palavra aflita ponteia lábil
quando um gesto certo no tronco largo
folheia a memória na margem leve
e a pele descobre outra pele viva;

há o ramo que se descobre flor
a cada flor morta no madrigal
de pombas e cinza sobre os telhados
que admiro e beijo em s. pedro de alcântara.

a última vela no mar da palha
leva o cheiro da fazenda e canela
para uma qualquer flandres

o grito do império, a visão da morte
de uma pátria que nunca foi e que
inda hoje reclama por que não é.


josé félix


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