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terça-feira, abril 25, 2006


O meu veneno


Os cravos não devem ter um dia. Como não deve haver dia do que quer que seja; dia do trabalhador, dia do santo, dia da santa, dia de todas as doenças e do mais que se vai inventando por aí. Os dias de comemorações são constrangedores, e não é comemorando com festins, discursos mal preparados e desconhecimento total ou quase total da história que se vai construindo a memória .

Por um lado, as escolas estão mal preparadas e têm um conselho pedagógico muitas vezes amorfo que não cumpre ou que não o deixam cumprir, até por causa da flutuação dos pedagogos que não chegam a conhecer os alunos que pretendem formar nos aspectos programáticos ,e não só.
Por outro lado, uma grande percentagem da juventude sabe mal o que foi e o que é o dia 25 de Abril de 1974. É um feriado? Tudo bem! O que se comemora não interessa. Como não sabem a data da Restauração e quantos anos Portugal foi dominado pelos Filipes; se foi benéfico o domínio castelhano ou não. É feriado? Tudo bem!

Mesmo hoje, ouvindo a rádio e vendo os canais de televisão portugueses, os jornalistas e os convidados a pronunciarem-se sobre a data de 25 de Abril de 1974 não sabem explicar quais são as diferenças entre antes de 1974 e os anos após esta data. As diferenças de mentalidade, claro.

O 25 de Abril nunca aconteceu. É uma invenção da nova democracia nascida após o 25 de Abril de 1974. Para haver uma revolução tem que haver outra revolução mais importante: a revolução das mentalidades. Esta nunca exitiu. O povo, as instituições públicas e privadas e os políticos continuam a pensar e a agir como se estivessem antes de 25 de Abril de 1974. A mentalidade corporativista da constituição de 1933 ainda está entranhada no cérebro e nas atitudes diárias de cada um. O salazarismo ainda é parte integrante da vida de todos os portugueses.

Dez haiku de Abril

1.
em cima da mesa
um cravo vermelho murcha -
já não deita cheiro.

2.
nas ruas de abril
o povo cansa de fome -
esqueceu os cravos.

3.
nos dias de abril
só os ministros colocam
cravos na lapela.

4.
milhares de cravos
na florista vão secando -
e depois do adeus.

5.
pizza hut mac donald´s -
grândola vila morena
sem cravos global.

6.
logo de manhã
vascas da revolução -
abril vinte e cinco.

7.
no dia dos cravos
os militares de abril
não vestem as fardas.

8.
abril vinte e cinco -
monótono, o discurso
adormece os cães.

9.
abril está morto
no craveiro abandonado -
há muitos discursos.

10.
só se faz de conta
que houve revolução -
abril vinte e cinco.


josé félix


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